Alguém já começou mal disposto em um emprego? Muito provavelmente não. As pessoas chegam animadas e com energia, cheias de antecipação, entusiasmo e ambição. Porém algumas organizações no decorrer do tempo não conseguem estabelecer uma relação sadia, muitas vezes isso se dá em razão da pouca preocupação com a felicidade dos funcionários, e descobrem que seu entusiasmo e disposição logo dão lugar à apatia e à amargura. Algumas empresas pouco atentas a estes sinais acabam se tornando propulsoras dos maus hábitos de seu pessoal.
Um fator que determina a motivação do indivíduo na organização é o “contrato psicológico”, ou seja, a necessidade implícita de que um conjunto de expectativas que são geradas a partir do momento em que as duas partes traçam suas metas. A empresa almeja que seus colaboradores sejam fiéis aos seus princípios, que mantenham a ética de guardar segredos de seus negócios, sempre dedicados a visão de crescimento da empresa. Os empregados, por sua vez, incluem componentes como a segurança no trabalho, ter uma perspectiva de crescimento em suas funções, obter um grau de autonomia com o passar do tempo, remuneração compatível com as responsabilidades entre outras.
Ao não se levar em conta esses fatores na gestão organizacional, a empresa corre sérios riscos de ver seus investimentos em treinamento, aprimoramento e preparação de seus funcionários ficarem a mercê de uma constante possibilidade de desligamento, os quais trazem altos custos emocionais e financeiros, visto que estes são na maioria das vezes dispendiosos, principalmente se analisando as informações competitivas que saem pela porta, muitas vezes causando significativas e desastrosas consequencias. A missão, visão e valores de uma empresa passam a ser interpretados pelos funcionários. Essas diretrizes quando andam em descompasso e chocam com o próprio valor pessoal do candidato, resultam em uma saída antecipada da empresa. Esses profissionais é que determinam se esses valores são realmente parte vigente da empresa ou meros palavreados bem escritos.
Quando a gestão da organização passa a considerar o fator humano como a chave do sucesso e determina estratégias que os coloquem em primeiro plano, poderão colher os frutos da lealdade. Uma organização que oportunize uma atmosfera sana e de sinergia com seus colaboradores. Em contrario a isso o que se tem é uma busca constante de alternativas para suas carreiras, e o rotineiro questionamento se vale a pena o esforço por uma empresa que já não esteja proporcionando a segurança e bem estar que almejam.
Cada indivíduo, a parte de suas horas dedicadas ao seu trabalho, também busca dar sentido a sua própria história, ou seja, tenta se enxergar na função e no ambiente que está submetido, sentindo-se fazer parte daquela criação, daqueles objetivos coorporativos, emergindo nos valores e metas da empresa. O que deve-se ter em mente é que cada profissional, em sua maioria se tratando principalmente de cargos de alto escalão, ao iniciar um projeto, tendem a remeter a este suas aspirações pessoais, desejos e nuances de crescimento pessoal.
O bem estar pessoal não depende exclusivamente de condições financeiras, ou estabilidade futura, mas tem a ver também com a visão que o individuo tem de qual caminho está trilhando juntamente com a organização, isto é, qual é a “obra” que ele está ajudando a construir. Essa construção só tem possibilidade de êxito quando iniciada em um ambiente de trabalho saudável, não significando descompromissado ou alheio ao objetivo final.
Luiz Otávio Marchioro é consultor e sales executive. Possui experiência internacional na condução de equipes multidisciplinares.
Fonte: Site Empreendedor
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