Apresentação

Caros leitores, esse blog foi criado com intuito de compartilhar informações sobre: Contabilidade, Gestão financeira, Auditoria, Economia, Controladoria, Empreendedorismo e Análise de Dados
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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Vídeo: Lançamento da marca PIX - Banco Central


 

PIX

 


Pagamentos instantâneos são as transferências monetárias eletrônicas na qual a transmissão da ordem de pagamento e a disponibilidade de fundos para o usuário recebedor ocorre em tempo real e cujo serviço está disponível durante 24 horas por dia, sete dias por semana e em todos os dias no ano. As transferências ocorrem diretamente da conta do usuário pagador para a conta do usuário recebedor, sem a necessidade de intermediários, o que propicia custos de transação menores.

No Brasil se chamará Pix, marca única, criada pelo Banco Central, lançada em coletivo a imprensa em fevereiro de 2020 clique aqui para assistir.

O Pix estará disponível para a população brasileira a partir de novembro de 2020. Além de aumentar a velocidade em que pagamentos ou transferências são feitos e recebidos, tem o potencial de alavancar a competitividade e a eficiência do mercado; baixar o custo, aumentar a segurança e aprimorar a experiência dos clientes; promover a inclusão financeira e preencher uma série de lacunas existentes na cesta de instrumentos de pagamentos disponíveis atualmente à população. Em linha com a revolução tecnológica em curso, possibilita a inovação e o surgimento de novos modelos de negócio e a redução do custo social relacionada ao uso de instrumentos baseados em papel.

Veja:

https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pagamentosinstantaneos

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Clientes poderão abrir e fechar conta corrente pela internet, decide CMN

Bancos deverão ter mecanismos de controle para verificar identidades.
Reconhecimento de imagem e voz, ou certificação, podem ser exigidos.
                      
O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou que pessoas físicas abram e fechem contas correntes pela internet, sem a necessidade de irem pessoalmente a uma agência bancária, como era exigido até agora. A informação foi divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (25).
De acordo com o BC, o serviço é opcional e já pode ser oferecido pelos bancos, desde que eles disponham de mecanismos de controle para verificar a identidade dos clientes.
A identificação poderá ser feita, por exemplo, por meio de reconhecimento de imagem e de voz. Os bancos também podem solicitar uma fotografia, ou, ainda, exigir o uso do certificado digital.
"Têm mecanismos de tecnologia que permitem várias checagens além do contato presencial", explicou a chefe do Departamento de Normas do BC, Silvia Marques. Ela ressaltou que esses mecanismos poderão, inclusive, dificultar a ocorrência de fraudes.
"Hoje, tem um cliente indo a uma agência levando um documento que pode ser falso. Pode ter um único contato trazendo fragilidade [ao cadastro]. O que se permite [com a nova regra] é que você vai ter não só um ponto de controle, mas vários", enfatizou.
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informou que "as instituições financeiras irão analisar a norma para se adequar e estabelecer os procedimentos e controles para garantir integridade, autenticidade, confidencialidade e segurança das informações e documentos eletrônicos exigidos no processo."
Marques destacou ainda que os bancos também podem verificar, por exemplo, há quanto tempo os solicitantes de contas correntes pela internet têm e-mail ativo.
"Os bancos terão de estabelecer salvaguardas para checagem. Essa conta tem os mesmos requisitos de uma conta normal", esclareceu o Banco Central.
 
Demais regras
Com exceção da flexibilidade do comparecimento presencial a uma agência bancária, todas as demais regras para a abertura de contas bancárias continuarão em vigor, como veracidade da situação cadastral, regras sobre tarifas, fornecimento de informações, adequação de produtos e serviços financeiros, além da prevenção de lavagem de dinheiro e terrorismo.
A nova norma é mais uma iniciativa do programa Otimiza BC, que permite a ampliação, "com segurança e eficiência", da oferta de produtos e serviços financeiros à população.
O Conselho Monetário Nacional, formado pelos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, do Planejamento, Valdir Simão, e pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, também baixou norma obrigando os bancos a não restringirem o acesso de clientes aos canais convencionais de atendimento, como, por exemplo, os caixas eletrônicos.
Segundo o Banco Central, há reclamações de que alguns bancos não atendem correntistas de outras instituições financeiras para realizar o pagamento de boletos. O BC diz que o CMN, com essa resolução, está estabelecendo que isso é proibido.
Com a nova regra, fica claro que as instituições financeiras não poderão dificultar ou restringir o acesso a esses canais, exceto em duas situações: quando as dependências forem exclusivamente eletrônicas ou quando a prestação de serviços de cobrança e recebimento, decorrentes de contratos ou convênios, preverem canais de atendimento somente eletrônicos.
 
CRI e CRA
Outra regra aprovada pelo CMN permite que bancos possam comprar Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI's) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA's), emitidas por companhias securitizadoras ligadas a eles.
Esses títulos devem ser de classe subordinada, ou provir do exercídio de garantia firme de subscrição pela instituição regulada, explicou o BC.
Para a autoridade monetária, a medida representa mais um "aprimoramento" das normas de securitização do crédito, facilitando assim a captação de recursos para financiamentos imobiliários e de agronegócios.
 
Fonte: G1

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Dividido, Copom decide manter os juros em 14,25% ao ano

Juros segue no maior nível desde 2006 e taxa real é a mais alta do mundo.
Decisão não foi unânime; dois diretores do BC votaram por alta a 14,75%.
 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (25) e decidiu manter novamente os juros básicos da economia inalterados em 14,25% ao ano - o maior patamar em mais de nove anos. Foi a terceira manutenção seguida dos juros pelo BC, que parou de subir a taxa Selic em setembro.
 
Taxa de juros em novembro = 14,25% (Foto: Editoria de Arte/G1)
 
A decisão, porém, não foi unânime. Dois dos diretores (Tony Volpon, Assuntos Internacionais, e Sidnei Corrêa Marques, de Organização do Sistema Financeiro) votaram pelo aumento dos juros, para 14,75% ao ano, mas foram vencidos pela maioria. Outros cinco diretores e o presidente da instituição, Alexandre Tombini, optaram pela manutenção dos juros. A última vez que o Copom não tomou uma decisão unânima foi em outubro de 2014.
O Copom dividido é um sinal de que o Banco Central está mais preocupado com as pressões inflacionárias, com a previsão do mercado para 2016 já superando o teto de 6,5% do sistema de metas, e que pode voltar a subir a taxa Selic nos próximos meses.
Ao fim do encontro desta quarta-feira, o BC divulgou a seguinte frase: "​Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 14,25% a.a., sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela elevação da taxa Selic em 0,50 ponto percentual".
Com isso, o BC retirou, do comunicado, a avaliação, divulgada anteriormente em outubro deste ano, que a manutenção dos juros por um "período suficientemente prolongado" de tempo seria necessária para a "convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária" (até o fim de 2017).
 
Decisão confirma expectativa do mercado A decisão do Banco Central de manter novamente os juros estáveis confirmou expectativa da maior parte dos analistas do mercado financeiro. A percepção de que a taxa seria mantida nesta semana tinha por base a mudança do foco da política monetária, de tentar atingir a meta central de inflação de 4,5% somente em 2017 (e não mais no fim do ano que vem), e também indicações do próprio Banco Central.
 
Juros altos
Ao subir os juros ou mantê-los elevados, o Banco Central tenta controlar o crédito e o consumo, atuando assim para segurar a inflação, que tem mostrado resistência neste ano por conta da alta do dólar (que supera 40% e encarece insumos e produtos importados) e dos preços administrados – como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros.
Por outro lado, ao tornar o crédito e o investimento mais caros, os juros altos prejudicam o nível de atividade da economia brasileira e, também, a geração de empregos. Para este ano, o mercado prevê uma retração do PIB de 3,15% e, para 2016, de 2%. Se confirmado esse cenário, será a primeira vez, desde 1948, o país registra dois anos seguidos de contração na economia.
Com a decisão desta quarta-feira, o Brasil permanece na liderança do ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management, com uma taxa de 6,55% ao ano. Em segundo lugar, aparece a Rússia, com juros reais de 2,78% ao ano, seguida pela China (2,3% ao ano). Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 1,8% ao ano.
 
Sistema de metas de inflação
Pelo sistema de metas de inflação vigente na economia brasileira, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. Para 2015 e 2016, a meta central de inflação é de 4,5%, mas o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de referência, pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
Para este ano, a expectativa do mercado financeiro, colhida na semana passada, é de que o IPCA feche o ano em 10,33%. Se confirmada a previsão, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando ficou em 12,53%. Para 2016, a estimativa dos analistas dos bancos é de que a inflação oficial fique em 6,64% - furando o teto do sistema de metas pelo segundo ano seguido, algo que não acontece desde 2002 e 2003.
No começo de novembro, Altamir Lopes, do BC, declarou, porém, que a autoridade monetária vai trabalhar para trazer a inflação o mais perto possível da meta de 4,5% no ano que vem. E assegurou que o IPCA não vai superar o teto de 6,5% do sistema de metas. "[A inflação] estará contida no intervalo do regime de metas [em 2016]. Em 2017, o BC trará a inflação para 4,5%", declarou Lopes naquele momento.
 
Fatores que influenciam a inflação
A decisão do Copom de manter novamente os juros estáveis acontece em meio à uma forte queda do nível de atividade, confirmada por meio de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de que o país está em meio à uma recessão técnica - e à alta do desemprego - fatores que, teoricamente, atuam para conter a alta dos preços.
Ainda assim, a inflação ainda segue pressionada pelas tarifas públicas e pela disparada do dólar - que supera de 40% em 2015. Dólar mais alto gera aumento no preço dos produtos e insumos importados e isso tende a ser repassado, em alguma medida, para os preços internos. Ao mesmo tempo, os aumentos da gasolina e do diesel anunciados neste ano também tem pressionado a inflação.
Para completar o quadro, a queda na previsão de superávit primário, a economia feita para pagar juros da dívida pública também torna mais difícil a tarefa do Banco Central de tentar conter a inflação. Com uma queda do superávit primário, sobram mais recursos na economia – que teoricamente impactam a inflação.
Em julho, o governo baixou a meta fiscal deste ano, de 1,2% do PIB, para apenas 0,15% do PIB, ou R$ 8,7 bilhões. Recentemente, o governo admitiu que o déficit deste ano deve ser der R$ 52,8 bilhões, sem contar as "pedaladas fiscais" e uma eventual frustração do leilão das hidrelétricas. Admitiu, porém, que o rombo pode superar R$ 110 bilhões em 2015.
Para o ano de 2016, o governo anunciou, em meados de setembro, um pacote para tentar atingir a meta de superávit primário de R$ 43,8 bilhões para todo o setor público, o equivalente a 0,7% do PIB, contemplando o retorno da CPMF.
Levantamento feito pelo G1 mostra, porém, que o governo conseguiu colocar muito pouco deste plano em marcha desde então. A CPMF, principal medida para reequilibrar as contas em 2016, enfrenta fortes resistências na sociedade e entre os parlamentares, e sequer começou sua tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – o primeiro passo no Congresso Nacional. A expectativa do mercado financeiro é de um rombo de 0,6% do PIB nas contas públicas no próximo ano.
Nesta semana, o ministro Levy cobrou apoio da base do governo às medidas de ajuste fiscal e avaliou que a redução consistente dos juros depende "muito" do equilíbrio das contas públicas.
"Há poucos anos atrás, os juros estavam na metade do que estão hoje [em 7,25% ao ano]. Não foi possível se prolongar em parte porque, naquele momento, em 2012, houve um aumento concomitante de despesas públicas. Houve um quadro fiscal que se traduziu em inflação e deterioração do setor externo. A verdadeira maratona de redução dos juros que o BC fez não pôde persistir no tempo porque aquela combinação entre fiscal e monetário não se deu de uma maneira continuada", declarou o ministro Levy nesta terça-feira (24) no Congresso Nacional.
 
Fonte: G1

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

BC diz que avanços no combate à inflação não são suficientes

                                 Sede do Banco Central (Arquivo)
O Banco Central afirmou que o cenário de convergência da inflação para o centro da meta em 2016 tem se fortalecido, mas as ações no combate à alta dos preços não se mostram suficientes, ao mesmo tempo em que piorou sua visão sobre o aumento de preços neste ano.
Por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, o BC também elevou muito sua estimativa da alta dos preços administrados neste ano, para 9,3 por cento ante os 6 por cento calculados antes, um dos principais fatores de pressão da inflação.
"O Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5 por cento em 2016 tem se fortalecido", trouxe a ata. "Contudo, os avanços alcançados no combate à inflação --a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo-- ainda não se mostram suficientes", completou.
Na semana passada, o Copom manteve o ritmo e elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, a 12,25 por cento ao ano, para tentar domar a inflação.
No fim de outubro, o Copom deu início ao atual ciclo de aperto monetário ao subir a Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão surpreendente e que não contou com o apoio de todos os membros do comitê. No encontro de dezembro, acelerou o passo e puxou a taxa em 0,5 ponto percentual.
O BC tem prometido fazer "o que for necessário" para diminuir a alta dos preços, diante de uma inflação que continua elevada e rondando o teto da meta oficial --de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.
Pela última pesquisa Focus do BC com economistas, a mediana das expectativas era de que a Selic iria a 12,50 por cento neste ano, mas o Top 5 --com instituições financeiras que mais acertam as projeções-- via a taxa de juros indo a 13 por cento.
Na ata, a autoridade monetária voltou a repetir que a inflação encontra-se em patamares elevados, em parte, por conta dos preços administrados e do câmbio.
E, desde a última reunião do Copom, em dezembro, "a intensificação desses ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável".
Por isso, o BC reafirmou que não descarta aumento da inflação no curto prazo, com tendência de ela permanecer elevada em 2015. "Porém, ainda este ano entra em longo período de declínio", disse o BC, repetindo que a política monetária deve continuar "especialmente vigilante".
O BC piorou, sem mostrar projeções numéricas, sua expectativa de inflação neste ano pelo cenário de referência (Selic a 11,75 por cento e dólar a 2,65 reais), permancendo acima do centro da meta. Para 2016, ela permaneceu "relativamente estável", também acima da meta.
Neste contexto, o BC elevou em muito suas contas sobre a alta dos preços administrados neste ano, levando em consideração a hipótese de elevação de 8 por cento no preço da gasolina --sobretudo pela incidência da Cide e do PIS/COFINS-- e de 27,6 por cento nos preços da energia elétrica, "devido ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE)".
 
Fiscal
As medidas tributárias recentemente anunciadas pela nova equipe econômica devem pressionar ainda mais os preços no curto prazo, com analistas prevendo agora que, em 2015, a inflação vai estourar o teto da meta.
Mas, mesmo assim, essas ações estão sendo bem recebidas porque buscam arrumar as contas públicas do país e resgatar a confiança dos agentes econômicos.
A expectativa do mercado é que se o governo cumprir a meta de superávit fiscal de 1,2 por cento do PIB neste ano, como planeja o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a necessidade de alta de juros para controlar a inflação será menor.
Pela ata do Copom, o BC voltou a informar que, "no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público tende a se deslocar para a zona de neutralidade, e não descarta a hipótese de migração para a zona de contenção".
 
Fonte: Exame

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Banco do Brasil diz que BC autoriza lançar R$3,2 bi no balanço por parceria com Cielo

       Photo
 
 
O Banco do Brasil informou nesta sexta-feira que o Banco Central autorizou o reconhecimento dos ativos intangíveis originados da parceria com a empresa de meios de pagamento Cielo para gestão de transações oriundas das operações de cartões de crédito e débito.
Com o aval, o BB disse ficar ratificada estimativa de impacto financeiro de 3,2 bilhões de reais no seu lucro líquido, conforme havia projetado em meados de novembro.
O banco já havia recebido aprovação do BC para a joint venture com a Cielo, mas com a ressalva de que não houvesse impacto nas suas demonstrações contábeis do reconhecimento de ativos intangíveis, nem tampouco efeitos no seu patrimônio contábil ou prudencial.
Uma fonte a par do assunto disse à Reuters no início do mês que o BB tentaria convencer o BC a aprovar o negócio sem restrição e que o valor de 3,2 bilhões poderia ser lançado no balanço da instituição no primeiro trimestre deste ano.
Quando divulgou o acordo com a Cielo no ano passado, o BB disse que a joint venture iria gerir negócios de cartões do banco, também tendo como objetivo realizar associações com outros parceiros para aproveitar oportunidades em nichos de mercado.
A Cielo informou à época que aportaria 8,1 bilhões de reais para ficar com 70 por cento da nova companhia, avaliada em 11,6 bilhões de reais.
 
APROVAÇÃO
Em fato relevante ao mercado, o BB também afirmou nesta sexta-feira que a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para o negócio foi dada, após transcorrido o prazo de 15 dias do aval da Superintendência Geral do órgão, durante o qual poderia haver interposição de recursos.
"Com isso, mais uma condição precedente para conclusão da associação foi cumprida", disse a Cielo em comunicado à parte, lembrando que o fechamento da transação ainda depende de outros passos.
Maior alta do Ibovespa, o papel da Cielo reagia positivamente às notícias e subia 4,33 por cento às 10h44, com a ação do Banco do Brasil ganhando 1,6 por cento. O principal índice da bolsa tinha variação positiva de 0,43 por cento no mesmo momento.
(Por Marcela Ayres)
 
 
Fonte: Reuters Brasil


 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Aumenta a concentração bancária

                     
A concentração bancária, que vem avançando paulatinamente no Brasil, atingiu um marco relevante neste ano, segundo dados do Banco Central. Do estoque de crédito em junho, de cada R$ 100 tomados por clientes, R$ 75,69 foram desembolsados pelos quatro maiores bancos do país: Banco do Brasil, Caixa, Itaú Unibanco e Bradesco. Há um ano, o valor era de R$ 73,45. Para tomadores de empréstimos, a concentração bancária traz riscos como juros elevados e oferta limitada de linhas de crédito.
Os dados fazem parte do relatório de estabilidade financeira do BC, que descreve a concentração bancária como "moderada". No entanto, o Valor apurou que, pela metodologia do BC, uma participação de mercado acima de 75% detida pelos quatro maiores bancos já representa um sinal de alerta.

Fonte: Valor Econômico
http://www.valor.com.br/financas/3778984/aumenta-concentracao-bancaria#

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Limite para conta simplificada, isenta de tarifas, sobe para R$ 3 mil, diz BC

       
Informação foi divulgada nesta terça-feira pelo Banco Central.
Segundo instituição, limite máximo para bloqueio sobe para R$ 6 mil.
 
O Banco Central informou nesta terça-feira (18) que foi elevado de R$ 2 mil para R$ 3 mil o limite máximo de saldo mensal permitido para as contas especiais de depósitos à vista e de poupança, mais conhecidas como “contas simplificadas”. Essas contas são isentas de tarifas.
Segundo a instituição, também foi elevado o limite de saldo máximo para efeito de bloqueio a qualquer tempo dessas contas, de R$ 5 mil para R$ 6 mil. As contas simplificadas são destinadas à população de baixa renda e tem por objetivo promover a inclusão financeira no país.
"O objetivo da medida é adequar o limite ao aumento da renda média do público alvo, além de aprimorar este importante instrumento de inclusão financeira de pessoas de baixa e média renda. A conta simplificada representa uma porta de acesso ao sistema bancário, estimulando o hábito de poupar e facilitando, posteriormente, o uso de produtos financeiros mais sofisticados, como o crédito", informou o Banco Central.
De acordo com a autoridade monetária, é possível abrir uma conta simplificada apresentando apenas o cartão de beneficiário de programas sociais, como o Bolsa Família.
Segundo a instituição, existem atualmente cerca de oito milhões de contas simplificadas de depósitos à vista ativas e cerca de três milhões de contas simplificadas de poupança ativas, abertas principalmente por meio dos correspondentes no país.
 
Fonte: G1

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Veja a repercussão da decisão do Copom de elevar os juros para 11,25%

Decisão surpreendeu economistas ouvidos pelo G1.
BC teria avaliado possível alta de combustíveis e preços administrados

                    Selic outubro 2014 a 11,25% (Foto: Editoria de Arte/G1)

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de elevar a taxa básica de juros da economia brasileira de 11% para 11,25% ao ano, surpreendeu a maioria dos economistas, que esperavam a manutenção da taxa. Foi a primeira elevação desde abril deste ano.
Os economistas ouvidos pelo G1 avaliam que o Copom pode ter tomado a decisão tendo em vista a perspectiva de que a inflação virá a sofrer novas pressões com o possível aumento do preço dos combustíveis – que vem sendo aventado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega – e da alta de preços administrados nos próximos meses.
A maioria das entidades do setor produtivo e sindicais criticaram a decisão do BC. Segundo essas entidades, a elevação da taxa de juros pode contribuir para reduzir ainda mais a atividade da economia – que entrou em recessão técnica no segundo trimestre deste ano – e podem ameaçar a criação de empregos.
A voz dissonante veio da Fecomercio-SP, entidade que representa o setor de comércio paulista, que aprovou o aumento afirmando que mostra que "a autoridade econômica está preocupada com a inflação".
A decisão acontece em um momento de fraca atividade econômica, embora a inflação em doze meses até setembro tenha somado 6,75% – acima do teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro. 
Veja a repercussão:
 
Natalia Cotarelli, economista do Banco Indusval & Partners (BI&P)
[A decisão] Surpreendeu bastante. O mercado apostava que fosse manter os juros. O BC vinha com todo um discurso de que o IPCA iria convergir para a meta de 4,5%, então a expectativa era que mantivesse. O que ele [Copom] destacou no comunicado [em que anunciou a alta de juros] que entre outros fatores foi a intensificação dos ajustes de preços relativos. Então o câmbio deve estar relacionado com isso, o câmbio vai impactar na inflação. Tem outros preços que devem subir nos próximos meses, que estão defasados, represados, então acho que esses dois fatores levaram o Copom a subir. E é também o choque de expectativas, significa que o Banco Central está comprometido com a meta de inflação.
 
Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina
Eu fiquei surpreso [com a alta de juros]. Na situação atual você aumentar a taxa de juros é uma situação bastante complicada. O que eles olharam é a perspectiva que o IPCA-15 trouxe de uma meta de inflação ser extrapolada. O BC tem como premissa trabalhar com 4,5% com margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Mas acabou surpreendendo como o IPCA acabou acelerando (...). Isso fez com que infelizmente o BC  elevasse a taxa de juros para forçar uma redução da inflação. Eu vejo isso como uma decisão arriscada. Porque nós estamos como problema das indústrias que estão perdendo competividade, o crédito fica mais caro, isso pode fazer com que as indústrias tenham uma perspectiva pior na produção e mesmo de financiamento para suas operações. Isso acaba desestimulando a produção das indústrias e fazer com que percam mais competitividade. A presidente Dilma já abriu o jogo do aumento do combustível, e já pode ter um indicativo de que vai pressionar mais a inflação. Isso também pode ser mais um motivo, com flexibilização dos preços administrados, que estava represado, vai colaborar com a alta da inflação.
 
Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT
O crescimento econômico já está baixo e os juros, altos. E agora com a elevação da Selic, emperra ainda mais o crescimento. Mais uma vez o Banco Central desperdiçou uma boa oportunidade para retomar o bom caminho da redução da Selic e, com isso, forçar uma queda maior dos juros e dos spreads dos bancos, a fim de baratear o crédito e incentivar o emprego, o desenvolvimento e a distribuição de renda.
 
FecomercioSP
Para a FecomercioSP, a decisão foi correta, pois a Entidade não está plenamente convencida de que o risco do IPCA ficar acima da meta tenha sido realmente eliminado. (...) Ao elevar a Selic em 0,25%, a autoridade econômica demonstra agir com prudência, o que a Entidade considera positivo. Além disso, o governo sinaliza que já compreendeu as preocupações dos mercados, dos investidores e dos analistas e indica que vai promover mudanças na condução econômica, conforme previa a FecomercioSP.
Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
O aumento da taxa Selic revela que predominou, na reunião do Copom, a preocupação com a inflação, apesar do baixo nível da atividade econômica. Isso poderá contribuir para uma desaceleração ainda maior da atividade econômica. O que se espera, agora, é que o governo anuncie um ajuste fiscal crível e rigoroso que permita ao BC reduzir novamente os juros em sua próxima reunião.
 
Paulo Skaf, presidente da Fiesp
Colocar toda a responsabilidade do combate à inflação na taxa de juros vem se mostrando uma estratégia equivocada, uma vez que está pondo em risco o maior patrimônio da economia brasileira atual, que é o emprego (...). Está cada vez mais evidente que o modelo atual se esgotou. O Brasil precisa urgentemente de uma nova política econômica, baseada no controle do gasto público, para que possamos obter baixa inflação e alto crescimento econômico.
 
Fecomercio RJ
O Copom parece não ter dimensionado bem o momento vivido pela economia doméstica ao elevar os juros básicos. Diante dos comportamentos recentes da atividade econômica, das contas públicas e dos índices de preços, o Banco Central preferiu não reconhecer a limitação do arrocho monetário como estratégia de controle da inflação a todo custo. Mesmo porque a alta dos juros já cumpriu seu papel na ponta. (...) O aumento da Selic prejudica, portanto, o reaquecimento da economia e a saúde das finanças públicas.
 
Fonte: G1

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Autonomia do Banco Central

                           Independência do Banco Central esquenta debates eleitorais Stillpressphoto,Divulgação/Divulgação
A adoção de mandatos fixos para os dirigentes do BC aumentaria a credibilidade da política monetária.
 
O que significa autonomia do BC? Normalmente, defende-se a autonomia do BC para que possa executar, sem interferências externas, o mandato que a sociedade, via governos eleitos, lhe conferiu para manter a inflação sob controle. Ou seja, o BC não gozaria de independência para definir seu objetivo, mas tão somente para atingir a meta que lhe foi atribuída pela sociedade quanto à inflação. 
E por que o BC precisaria ser insulado da interferência de políticos para bem exercer sua atribuição de manter a inflação sob controle? Porque, muitas vezes, sobretudo em anos eleitorais, políticos no poder podem preferir que o BC baixe os juros para impulsionar a economia a curto prazo, e aumentar a chance de continuarem no poder. Se o BC cedesse a tais pressões, estaria comprometendo o controle da inflação no longo prazo, violando o mandato que a sociedade lhe conferiu. 
Por isso, países mais desenvolvidos conferem aos diretores e presidente de seus bancos centrais mandatos de duração determinada, não coincidentes com os mandatos dos governantes. Há ampla evidência de que países que adotam tal arranjo tendem a lograr melhor resultado no controle da inflação. 
Não se pense que a pressão política sobre o BC é algo que não ocorre em países desenvolvidos. Por exemplo, o Presidente Bush (pai) costumava reclamar da política monetária restritiva conduzida pelo FED. Segundo Bush, os altos juros ter-lhe-iam custado a reeleição em 1992, quando Bill Clinton foi eleito pela primeira vez. Sobre Greenspan, Bush teria dito: “I reappointed him, he disappointed me” (eu o reconduzi, ele me desapontou).  
As opiniões a respeito da autonomia do BC de economistas ilustres desafia os preconceitos. Keynes era favorável à autonomia do BC: “Quão menos direto o controle democrático e quão mais remotas as oportunidades para a interferência parlamentar com a política bancária, melhor será” (New Statesman and Nation, 17 e 24 de setembro, 1932). Já Milton Friedman, o pai do monetarismo, era contra, pois abriria espaço para a manipulação da moeda, quando o certo, segundo sua concepção, era implementar uma regra de crescimento constante da moeda. 
 
Hoje, acredita-se que a forma mais eficiente de conduzir a política monetária é via comitê de especialistas, como o nosso Copom. Tais comitês reúnem-se periodicamente, para analisar amplo leque de dados processados por sofisticados modelos matemáticos e estatísticos. Com base nessa análise essencialmente técnica, toma-se a decisão sobre a taxa de juros, de modo a manter a inflação sob controle. É para que possam realizar tal tarefa sem pressão política que se defende a existência de mandatos para os dirigentes do BC. 
No caso brasileiro há ainda uma razão adicional. O BC é também o regulador dos bancos. Os diretores e presidente de todas as demais agências reguladoras no Brasil possuem mandatos. Por que não o BC? Sem mandatos, os diretores e presidente do BC tornam-se mais suscetíveis a eventuais pressões indevidas dos bancos, não menos. 
O debate sobre a autonomia do BC não é novo em nosso país. Nosso BC nasceu independente, em 1965, prevendo mandatos para seus dirigentes. Foi o General Costa e Silva quem matou sua independência, ao demitir em 1967 o primeiro presidente do BC, Dênio Nogueira. Roberto Campos relata o incidente. 
“Dois meses antes da transmissão de poder, fui como ministro do Planejamento, instruído por Castello Branco para explicar ao presidente eleito Costa e Silva, os capítulos econômicos da nova Constituição de 1967. Aproveitei para sugerir-lhe que pusesse termo aos boatos de substituição do presidente do Banco Central, pois a lei lhes dava mandato fixo, precisamente para garantir estabilidade e continuidade da política monetária.  -- O BACEN é o guardião da moeda – acrescentei.  -- O guardião da moeda sou eu – retrucou Costa e Silva” (A Lanterna na Popa, página 669). Ou seja, a posição da atual Presidente da República, no que tange à autonomia do BC, tem sólida ascendência no autoritarismo brasileiro. 
O que ensina a pesquisa recente sobre a autonomia do BC? Em extensa pesquisa, Daron Acemoglu e coautores (“When Does Policy Reform Work? The Case of Central Bank Independence”, Brookings Papers on Economic Activity, 2008(1), pp. 351-418) mostraram que a adoção da autonomia do BC mostrou-se mais eficaz em países que impõe grau intermediário de restrições a seus mandatários, o que é precisamente o caso do Brasil. A autonomia do BC não melhora o controle da inflação em países com instituições muito fracas. Por exemplo, o Zimbabue adotou várias reformas destinadas a aumentar a autonomia do BC em 1995, mas isso não impediu que vivesse posteriormente uma hiperinflação. Já em países democráticos com instituições bem consolidadas e abrangente sistema de freios e contrapesos, a autonomia do BC não parece melhorar o já consolidado controle da inflação. Não obstante, tais países adotam a autonomia de seus BCs. Dos 27 países que adotam o regime de metas para inflação, o Brasil é o único que não prevê mandatos fixos para os dirigentes do BC. 
 
Em resumo, a autonomia do BC não é uma panacéia que nos garanta para sempre a inflação sob controle. Mas, sem dúvida, ajudaria muito a recuperar a credibilidade do BC como guardião da moeda, tão abalada pela alta inflação dos últimos anos. Facilitaria o trabalho do BC, que não precisaria elevar tanto os juros para fazer a inflação retornar à meta de 4,5%.
 
Marcio G. P. Garcia
Ph.D. por Stanford, Professor do Departamento de Economia, PUC-Rio.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Intervenções Cambiais do BC

                  Photo
O anúncio feito por Ben Bernanke, em maio de 2013, de que o estímulo monetário que vinha sendo ministrado pelo FED seria gradualmente reduzido causou enorme turbulência nos mercados mundiais. Ativos de risco sofreram grandes perdas e moedas de países emergentes se desvalorizaram. Entre elas, o real. 
Em resposta à forte depreciação do real, bem como ao aumento de volatilidade, o BC decidiu intervir no câmbio. A partir de fins de agosto de 2013, anunciou um programa que envolvia venda de US$ 2 bi de swaps cambiais por semana, além de empréstimo semanal de US$1 bilhão aos bancos. 
O gráfico mostra que o anúncio do programa pode ser associado a uma forte queda na taxa de câmbio. Posteriormente, o BC anunciou que o programa prosseguiria em 2014, embora com redução substancial da venda semanal de swaps para US$ 1 bilhão. O segundo anúncio, como mostrado no gráfico, parece não parece ter surtido o mesmo efeito do primeiro. 
Apesar do enorme volume de intervenções cambiais, próximo a US$ 90 bilhões, pesquisa que venho realizando com Laura Pitta e Marcos Chamon mostra que o comportamento do real não parece ter sido muito distinto do das demais moedas emergentes. O que contraria a visão predominante no mercado de que, não fossem as intervenções do BC, a taxa de câmbio estaria muito mais alta. 
Como é possível que a intervenção do BC tenha sido responsável pela apreciação do real, e, ao mesmo tempo, evolução similar da taxa de câmbio tenha sido observada em outros países em que as autoridades não intervieram ou o fizeram em muito menor intensidade? Uma hipótese plausível me foi sugerida por Eduardo Loyo.  
A hipótese é que a enorme depreciação do real na esteira do anúncio do tapering tenha aumentado significativamente a demanda por proteção (hedge) cambial. Devido àsaltas taxas de juros no Brasil, o hedge cambial é muito caro, o que faria com que os agentes tendessem a comprar pouco seguro contra a depreciação do real antes do tapering. A depreciação pós-tapering, contudo, teria levado os gerentes financeiros das empresas a reavaliarem o benefício do hedge, o que ensejoumaior demanda por proteção cambial. Assim, se o BC não tivesse ofertado o hedge cambial, o real teria se depreciado muito além das demais moedas emergentes.
Quais as perspectivas do programa de intervenção cambial do BC? Como explicado em meu artigo com Tony Volpon, disponível na minha página na web, o sucesso do programa de vendas de swaps cambiais do BC depende de os bancos comprarem os swaps do BC e oferecerem dólares à vista, que tomam emprestado via linhas de crédito no exterior. 
Como, desde o início de suas intervenções cambiais, o BC não vendeu reservas, e o saldo das linhas de crédito leiloadas pelo BC é, hoje, apenas de US$ 2,25 bilhões, a demanda líquida por dólares à vista (spot) vem sendo suprida pelos bancos (agradeço a Sandro Sobral por este insight). O movimento de câmbio contratado, que registra todas as compras e vendas de câmbio à vista, mostra que, desde o final de agosto de 2013, as compras cambiais excederam as vendas em cerca de US$ 20 bilhões. 
Essas duas dezenas de bilhões de dólares à vista vêm sendo supridas pelos bancos, que tomam emprestados no exterior, via linhas de crédito de curto-prazo, para ganhar a diferença entre o cupom cambial (taxa de juros em dólar no Brasil) e a taxa de juros externa. Essa “arbitragem”, contudo, encontra limites no risco de crédito (risco de contraparte) dos bancos frente a seus credores externos, entre outros fatores limitadores. Historicamente, o agregado de empréstimos externos de curto-prazo tomado pelos bancos tende a não exceder US$ 20 bilhões, valor muito próximo do atual. 
Portanto, caso o fluxo cambial (comercial e financeiro) não melhore no futuro próximo, os bancos não mais se disporiam a realizar a arbitragem entre os swaps e o dólar à vista da mesma forma que vem fazendo desde o início do programa do BC. Daí resultaria provável combinação de depreciação cambial com aumento do cupom cambial, sinalizando escassez de dólar à vista. Se quiser evitar que isso ocorra, além das vendas de swaps cambiais, o BC teria que vender ou emprestar suas reservas para irrigar o mercado à vista. 
Para 2015, cabe avaliar a continuidade do programa de intervenções cambiais. E, em se decidindo descontinuá-lo, o que fazer com o estoque de swaps vincendos. Mas isto é tópico para outro artigo.
 
Marcio G. P. Garcia
Márcio Garcia ocupa a Cátedra Vinci do Departamento de Economia da PUC-Rio, onde é Professor Associado. De janeiro a março de 2014 é Tinker Visiting Professor na Stanford University, Califórnia, EUA. Em 2013, foi Visiting Scholar na Sloan School of Management, MIT, e no NBER, Massachusetts, EUA. Anteriormente, havia sido professor/pesquisador visitante em diversas instituições: Stanford, Chicago, e MIT, nos EUA, e na Paris School of Economics e na Université D’Evry-Val-D’Essone, na França. Já foi Diretor, Coordenador de Pós-Graduação, Graduação e Pesquisa do Departamento de Economia da PUC-Rio, bem como representante em diversos órgãos colegiados da Universidade e fora dela. Suas áreas de pesquisa são Finanças Internacionais e Economia Monetária. Foi consultor de diversas instituições: Banco Mundial, FMI, BID, CEPAL, BM&F Bovespa, BNDES, Icatu, ANBID, ANBIMA, NEO Investimentos e outras. É membro do Bellagio Group. Escreve mensalmente no Valor Econômico.

http://www.economia.puc-rio.br/mgarcia/

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Com economia fraca, BC muda regra e injeta R$ 30 bilhões no mercado

Recursos virão da liberação de parte dos depósitos compulsórios.
Banco Central avaliou que há moderação na concessão do crédito.
                      Edital do Concurso Banco Central 2014
Com a economia do país dando sinais de que deve crescer menos este ano, o Banco Central anunciou nesta sexta-feira (25) medidas para ajudar a impulsionar o crescimento, injetando cerca de R$ 30 bilhões em recursos no mercado. O dinheiro virá de um ajuste nas regras dos chamados recolhimentos compulsórios, que são os recursos que os bancos são obrigados a manter no próprio BC, e que serão liberados em parte.
A medida foi anunciada em um momento em que o crescimento da economia patina, prejudicado pela alta da inflação e pelo aumento da taxa básica de juros da economia, de 7,25% para 11% ao ano entre abril de 2013 e maio deste ano, além da baixa confiança das famílias e empresas. E pode contribuir para estimular os empréstimos dos bancos – que vêm registrando desaceleração nos últimos anos.
De 2009 até agora, os depósitos compulsórios subiram de R$ 194 bilhões para R$ 405 bilhões. Apenas nos últimos 12 meses, esses recursos cresceram R$ 50 bilhões. Como fica "guardado" no BC, esses recursos não podem ser emprestados pelos bancos em operações de crédito – e não ajudam, assim, a "girar" a economia.
O aumento da taxa básica de juros da economia é um fator que, teoricamente, contribui para aumentar o nível dos compulsórios, pois parte dos recolhimentos é remunerada pela taxa Selic – que subiu nos últimos meses. Com a alta dos juros básicos, os bancos também têm uma remuneração mais alta com os compulsórios – sem assumir os riscos próprios dos empréstimos para pessoas físicas e jurídicas.
O BC explicou que liberou mais recursos para o mercado, alterando as regras dos compulsórios, considerando  a "recente moderação na concessão do crédito; a inadimplência em patamares relativamente baixos; e o recuo do nível de risco no sistema financeiro nacional".

Crédito bancário desacelera nos últimos anos  
No fim do mês passado, o BC baixou de 13% para 12% sua previsão de aumento do crédito ofertado pelos bancos em 2014. No ano passado, os empréstimos dos bancos avançaram 14,6%. Em 2010, o crescimento foi de 20,6%, passando para 18,8% de expansão no ano seguinte e para 16,4% em 2012.
A desaceleração do crédito tem sido criticada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos últimos meses. Recentemente, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o ministro voltou a declarar que há escassez de crédito para o consumo no Brasil. No ano passado, chegou a dizer que a economia brasileira crescia com "duas pernas mancas" - em alusão à falta de crédito e à crise financeira internacional.
 
Mudanças feitas pelo BC  
Com as alterações no compulsório feitas pelo BC, a instituição passou a permitir que até 50% do recolhimento compulsório relativo a depósito a prazo, dos bancos, sejam cumpridos com operações de crédito.
"Assim, pelo prazo de um ano, 50% dos valores recolhidos poderão ser utilizados na contratação de novas operações de crédito e na compra de carteiras diversificadas (pessoas jurídicas e físicas) geradas por instituições elegíveis", informou a autoridade monetária.
Além disso, também foi ampliado o "rol" de instituições financeiras elegíveis, de 58 para 134, à condição de vendedoras das operações aceitas para fins de dedução do recolhimento. Instituições financeiras cujo Patrimônio de Referência Nível I, na posição de dezembro de 2013, seja inferior a R$ 3,5 bilhões serão elegíveis, sem restrições.
Tabmém foi reduzido, de R$ 6 bilhões para R$ 3 bilhões, o valor do Patrimônio de Referência, Nível I para fins de redução da exigibilidade sobre recursos à vista, ampliando o número de bancos que poderão lançar mão de parte (até 20%) de seus recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista para empréstimos e financiamentos que sejam enquadráveis no PSI – Programa de Sustentação do Investimento do BNDES.
 
Fonte: G1

quinta-feira, 26 de junho de 2014

BC baixa para 1,6% previsão de alta do PIB e vê inflação perto do teto

BC vê até 48% de chance de inflação estourar teto da meta este ano.
Para 2015, BC também sobe sua previsão para comportamento dos preços.
              
O Banco Central baixou nesta quinta-feira (26) sua previsão para o crescimento da economia brasileira este ano. De uma expectativa de 2%, o BC agora espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,6% este ano.
A estimativa para a inflação de 2014, por sua vez, subiu para 6,4% – muito perto do teto de 6,5% vigente no sistema de metas de inflação. Os dados constam do relatório de inflação do segundo trimestre deste ano.
Apesar da redução, a estimativa do BC para o crescimento do PIB, a soma das riquezas produzidas no país, ainda está acima do que estima o mercado financeiro, cuja expectativa de alta, feita na semana passada, é de 1,16% para 2014. O valor, porém, está abaixo da estimativa feita pelo Ministério da Fazenda e presente no Orçamento deste ano, de alta de 2,5% do PIB. No ano passado, o PIB brasileiro cresceu 2,5%.
 
Para o BC, o consumo tende a continuar em "expansão em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes" e os investimentos tendem a "ganhar impulso". "O cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, tende a favorecer o crescimento da economia brasileira", informou.
O Banco Central também avaliou que, "em prazos mais longos", surgem "perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também da agropecuária; ao mesmo tempo em que o setor de serviços "tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes".
 
Inflação 
Ao mesmo tempo em que baixou sua estimativa para o crescimento da economia brasileira, o Banco Central também passou a prever mais inflação tanto para este ano quanto para 2015.
A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, deste ano passou de 6,1% a 6,2% para 6,4%. Para o ano que vem, a previsão para o comportamento da inflação subiu de 5,5% para um valor entre 5,7% e 6%, dependendo do cenário considerado.
 
Mesmo com o aumento, a previsão de inflação do Banco Central ainda está um pouco abaixo do que estima o mercado financeiro. Para este ano, os economistas dos bancos esperam que o IPCA avance para 6,46% e que chegue a 6,1% em 2015.
O Banco Central também admitiu nesta quinta-feira que aumentou a chance de o IPCA deste ano ficar acima do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação. Em março, a chance de acontecer o chamado "estouro" da meta de inflação estava entre 38% e 40%. No documento divulgado nesta quinta, o BC informa que essa possibilidade passou para um valor entre 46% e 48%.
 
Sistema de metas  
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
Deste modo, as estimativas do BC divulgadas nesta quinta-feira mostram o IPCA longe da meta central de 4,5% estabelecida para 2014 e 2015, embora ainda esteja dentro do intervalo de tolerância existente. O teto do sistema de metas de inflação brasileiro é um dos mais altos do mundo.
O aumento da expectativa de inflação do BC acontece apesar da alta dos juros básicos da economia, que subiu entre abril do ano passado e maio deste ano. Neste período, taxa Selic subiu 3,75 pontos percentuais, de 7,25% ao ano para 11% ao ano. Foram nove elevações seguidas no juro básico do país - promovidos pela própria autoridade monetária justamente com o objetivo de conter o avanço da inflação.
O BC afirmou que a transmissão das ações de política monetária (altas de juros) para a inflação ocorre com defasagens. "Nesse processo, diversos canais – por exemplo, da demanda, do crédito, do câmbio, e das expectativas – estão envolvidos e operam não necessariamente com a mesma intensidade e simultaneamente", avaliou, acrescentando que antes de alcançar os preços, as altas de juros "interferem nas decisões de consumo e de investimento de famílias e de firmas".
 
'Fonte de risco'   
O BC também avaliou, no relatório de inflação, que uma "fonte de risco" para a inflação está no comportamento das expectativas para os preços, "impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços, e, sobretudo, por incertezas que cercam a trajetória de preços (como o da gasolina) e tarifas de serviços públicos (por exemplo, eletricidade e ônibus urbano) com grande visibilidade".
O BC também ponderou que um "risco importante" para a inflação vem do mercado de trabalho, que mostra "margem estreita de ociosidade" com possibilidade de concessão de aumentos reais de salários "incompatíveis com o crescimento da produtividade". Entretanto, observou que "antecipam-se desenvolvimentos que tendem a contribuir para o arrefecimento de riscos originados no mercado de trabalho, como a concessão de menores reajustes do salário mínimo e para os salários de servidores públicos".
O banco avaliou, porém, que as pressões inflacionárias ora presentes na economia – a exemplo das decorrentes dos processos de realinhamentos de preços e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de produtividade – tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do horizonte relevante para a política monetária, ou seja, nos próximos anos.
 
Fonte: G1

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Copom interrompe ciclo de alta e mantém taxa de juros em 11% ao ano

Após nove altas, Banco Central já havia sinalizado interrupção do processo.
Com decisão, BC confirma aposta dos economistas do mercado financeiro
 
                  Selic em 11% - 28/05/2014 - matéria (Foto: G1)
 
Após longa reunião, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) interrompeu nesta quarta-feira (28) o ciclo de alta dos juros da economia brasileira ao manter estável em 11% ao ano a taxa básica de juros, chamada de Selic.
Quando o ciclo de elevação começou, em abril do ano passado, os juros estavam na mínima histórica de 7,25% ao ano. Desde então, avançaram 3,75 pontos percentuais. Durante os 13 meses desse processo de alta, houve nove elevações seguidas da Selic.
A decisão do BC confirmou a expectativa da maior parte dos analistas do mercado financeiro, que se formou após sinalizações da própria instituição, contidas na ata da última reunião do Copom, e também depois de indicações do presidente do BC, Alexandre Tombini. O Banco Central tem avaliado que parte "relevante" do aumento de juros implementado desde abril do ano passado ainda não surtiu o efeito desejado na inflação.
A previsão dos analistas do mercado financeiro é de que a taxa voltará a subir ainda neste ano, mas somente em dezembro, quando deverá subir para 11,25% ao ano.
Depois do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "Avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 11,00% a.a., sem viés".
 
Metas de inflação
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país. Para 2014 e 2015, a meta central para o aumento dos preços é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
Com taxas de juros maiores, o Banco Central consegue reduzir o crédito disponível e, assim, o dinheiro em circulação. Dessa forma, diminui a quantidade de pessoas e empresas dispostas a consumir bens e serviços, e os preços tendem a cair ou ficar estáveis.
Apesar de já ter previsto que o processo de alta dos juros seria interrompido na reunião de hoje do Copom, a estimativa dos analistas do mercado financeiro é de que o IPCA some 6,47% neste ano, ou seja, muito próximo do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação.
"O mercado faz um jogo cínico. De um lado, aposta que não haverá alta de juros agora e, do outro, diz que a inflação vai bater no teto e que o Banco Central vai subir os juros no final de 2014 e em 2015. É como se dissesse: o Banco Central não tem independência e vai obedecer a agenda eleitoral como se fosse um órgão do governo", diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Para o economista, que avalia o trabalho do BC como "ótimo" e discorda da avaliação do mercado sobre a suposta falta de independência da instituição, o "mais correto", porém, seria o Copom subir a taxa de juros para 11,25% ao ano nesta quarta-feira para "antecipar o movimento que o próprio mercado entende como inevitável".
Para Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a preocupação do BC é que a desaceleração observada na economia se transforme em estagnação ou recessão. "Esperamos, também, que o governo colabore para o controle da inflação com uma política fiscal mais austera, baseada na redução dos gastos de custeio, para que o incremento da arrecadação possa ser canalizado para investimentos", disse.
 
Inflação resistente
No fim de março, o BC avaliou, por meio do relatório de inflação do primeiro trimestre deste ano, que a inflação ainda mostrava "resistência" e que uma "fonte relevante de risco para a inflação" estava no comportamento das expectativas dos analistas dos bancos e do setor produtivo, impactadas pela dispersão de aumentos de preços e pelas incertezas que cercam a trajetória de preços com grande visibilidade, como o da gasolina e os de alguns serviços públicos, como eletricidade".
O Banco Central também subiu, no fim de março, de 4,5% para 5% sua projeção para os chamados "preços administrados", que contemplam, entre outros, ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos e telefonia e gasolina. Em 2013, os preços administrados subiram bem menos: 1,5%.
 
Juros reais mais altos do mundo
Mesmo com a manutenção dos juros em 11% ao ano, o Brasil permaneceu na primeira posição no ranking mundial de juros reais (com 4,25% ao ano) feito pelo MoneYou. Os juros reais são calculados após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses. Em segundo e terceiro lugares, aparecem a China (3,41% ao ano) e a Índia (2,66% ao ano). A taxa média de juros real em 40 países pesquisados está negativa em 1,1% ao ano.
 
Fonte: G1

quarta-feira, 23 de abril de 2014

"BC deveria guardar munição no câmbio"

                     dolares
Texto de Ilan Goldfajn para Valor Econômico.
Publicado em: 16/04/2014

Nos últimos dois meses, a menor aversão a risco tem levado a um retorno do fluxo para mercados emergentes, como o Brasil, especialmente para investimento em portfólio. Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, o Banco Central deveria aproveitar essa fase para reduzir as intervenções no câmbio e guardar munição para usar mais à frente, quando começar a normalização da política monetária dos Estados Unidos. Goldfajn, que foi diretor de política econômica do Banco Central (2000-2003) e economista do FMI (1996-1999), participa hoje da conferência internacional "Itaú BBA + Macro Vision", em que irá debater o cenário econômico para o Brasil e a América Latina.
 
A seguir, os principais trechos da entrevista.
 
Valor: Nos últimos dois meses, vimos uma volta do fluxo para mercados emergentes, que tem beneficiado o Brasil. O senhor vê o movimento como correção de curto prazo?
 
Ilan Goldfajn: Isso faz parte de um processo geral que vai levar à normalização da política monetária nos Estados Unidos e depois nos outros países também. Nos últimos meses, desde o começo do ano, os investidores perceberam que talvez esse processo vai ser mais tarde do que eles imaginavam. Isso significa que você prolonga o período de dinheiro mais fácil, custo mais barato, o dólar perde força, as moedas emergentes ganham força, tem mais uma busca por retorno, o chamado "carry trade" [operação que busca ganhar com a arbitragem de juros] está de volta. Isso dá mais um pouco de tempo para as economias se prepararem para o período de normalização, mas aumenta o risco de se criar algumas distorções. Alguns nos Estados Unidos já estão falando em bolhas.
 
Valor: Há o risco de reversão desse cenário no curto prazo?
 
Goldfajn: Depende do que você chama de curto prazo. Em dois meses, três meses, provavelmente não. Mas se você olhar para os próximos 12 meses e, certamente, para os próximos 24 meses, vamos estar diante de uma normalização da política monetária nos Estados Unidos em função de uma recuperação da economia americana, que já está em curso. A gente acha que a taxa de juros começa a subir no primeiro semestre do ano que vem. No ano passado, começou a saída de recursos dos emergentes e o que temos observado nos últimos meses é uma pausa desse processo.
 
Valor: Quais são os principais riscos para os países emergentes?
 
Goldfajn: Um é o que já falamos, da normalização da política monetária americana. A inversão dos fluxos que estavam chegando para emergentes é outro. E tem a questão da China. Será que a China vai desacelerar muito, será que a demanda por commodities, por bens da América do Sul em geral, vai cair? Acho que essa desaceleração já está em curso, mas não será abrupta. Um dos motivos é que os fundamentos do crescimento estão aí. A China ainda é um país pobre, tem muita gente para incorporar ao mercado consumidor, tem que urbanizar bastante. E por outro lado, a China tem potencial para usar política anticíclica se tiver uma desaceleração mais forte. Tendo dito isso, acho que ao longo da década o PIB da China vai desacelerar para 7%, 6% ao ano.
 
"Nossa projeção é que a taxa de juros vai ter que chegar a 12,5%, com uma parte desse ajuste sendo feito no ano que vem"
 
Valor: Que países são mais vulneráveis nesse cenário?
 
Goldfajn: Os emergentes em geral vão ter sensibilidade aos riscos. Quanto melhor forem suas políticas anteriores, melhor você lida com as reversões. Se a economia está com uma poupança razoável, se as contas fiscais estão em ordem, se a inflação está na meta, se a dívida pública está pequena, tudo isso ajuda a poder adotar políticas anticíclicas no momento de normalização da política monetária ou qualquer choque externo.
 
Valor: O Brasil tem espaço para fazer isso?
 
Goldfajn: O Brasil tem espaço na questão das reservas e está usando. Isso permite suavizar um pouco o choque que vem de uma reversão dos fluxos ou do mau humor com a normalização da taxa de juros nos EUA.
 
Valor: Com o dólar em torno de R$ 2,20, faz sentido o BC manter as intervenções no câmbio?
 
Goldfajn: Não acho que faz sentido. A intervenção tem de ser usada em momentos em que há uma percepção de que as condições externas estão mudando, para suavizar esse ajuste. Se há um entendimento no mercado de que o período de normalização vai demorar mais é melhor guardar munição para usar mais à frente, quando vier o ajuste.
 
Valor: Como se daria esse ajuste nas intervenções?
 
Goldfajn: Acho que tem uma certa ordem, que o BC está colocando. Primeiro ponto, se você tem um estoque de swaps cambiais a rolar, pode rolar menos, sem afetar ainda um programa que prevê a venda de US$ 200 milhões por dia por meio de swaps. Eu tenho a impressão de que o BC já está nesse processo. Mas eu iria além. Em algum momento, se as condições continuarem como estão, ou seja, em que a taxa de juros de dez anos (do título do Tesouro americano) não está subindo, acho que teria espaço também para o BC anunciar: fizemos a intervenção quando estávamos prestes a uma mudança da política monetária, estamos mais longe, assim que voltar, eu volto com as intervenções.
 
Valor: O BC tem sinalizado que o ciclo de aperto monetário está perto do fim. Ele tem espaço para fazer essa interrupção agora, dado o último choque de preços de alimentos?
 
Goldfajn: O BC já implementou um ajuste de juros, que começou em 7,25% e está em 11%. O que ele parece querer dizer é: já fizemos um ajuste considerável, esperem para ver os resultados. Eu entendo que a comunicação é essa, por isso a nossa projeção é que ele deve estar no limiar de interromper o ciclo de alta de juros, que deve ficar entre 11% e 11,25%. No momento, estamos tendo um choque de alimentos, que é um choque de oferta, mas sempre temos de tomar cuidado com os efeitos secundários. A nossa projeção hoje é que a taxa de juros vai ter que chegar a 12,5%, com uma parte desse ajuste sendo feito no ano que vem. A política monetária vai precisar subir os juros no ano que vem em função da inflação que ainda vai estar elevada, sem falar da necessidade do aumento de alguns preços relativos. E é preciso evitar que isso se estenda para o resto da economia.
"É possível que [a inflação] suba um pouco mais antes de baixar. (...) é possível que um mês ou outro ultrapasse a meta"
 
Valor: Em algum momento vocês esperam que a inflação ultrapasse o teto da meta neste ano?
 
Goldfajn: Ao longo dos meses é possível que suba um pouco mais para depois baixar. Olhando a base do ano passado, mesmo a inflação caindo nos próximos meses, é possível que um mês ou outro ultrapasse a meta. Na nossa projeção, em dezembro, ela volta para 6,5%.
 
Valor: A expectativa de inflação ainda é alta, mas o país cresce pouco. Como equilibrar isso?
 
Goldfajn: Uma boa parte da falta de crescimento vem pelo lado da oferta. Há alguns anos a gente está lidando com a restrição que vem da necessidade de investir mais, aumentar a produtividade. É preciso aumentar o capital humano, com a educação, continuar com os projetos de infraestrutura, tudo isso é o lado da oferta, da construção da capacidade de produzir. Não é mais uma questão de demanda e, por isso, não vejo um "trade-off" [entre crescimento e inflação], ou seja, um pelo outro.
 
Valor: Falando em produtividade, por que não vemos ainda uma melhora da balança comercial, apesar da desvalorização da taxa de câmbio desde o ano passado?
 
Goldfajn: Eu acredito no ajuste do câmbio na balança comercial. Quando você olha para as importações excluindo o petróleo, você já observa que estão começando a reagir um pouco a isso. Mas há duas dificuldades que adiam um ajuste mais rápido. Uma é do lado das exportações, que são mais lentas porque dependem da capacidade de conquistar mercados. E para isso é preciso que haja acordos comerciais, que não estão ocorrendo. O segundo fator importante é o petróleo. A balança comercial está sendo impactada pela conta petróleo. E, finalmente, o custo Brasil ainda é alto, o custo unitário do trabalho, em termos de infraestrutura, dificuldade em fazer negócios, alta carga tributária... O câmbio vai ajudar, mas o Brasil tem que ultrapassar esses entraves.
 
Valor: Com isso, o déficit em conta corrente ainda não melhorou, e está em 3,69% do PIB. Vocês esperam uma redução desse déficit?
 
Goldfajn: Acho que a conta corrente vai em direção a um déficit menor, desde que você faça os ajustes necessários, entre eles no câmbio, mas também na poupança. Nossa poupança é muito baixa, vai ter de aumentar para não ficar muito dependente da poupança externa. Eu imagino que [um déficit] em conta corrente de algo entre 3% e 7%, mais perto de 4%, possa caminhar ao longo dos anos, três ou quatro anos, com os ajustes necessários, para baixo de 2% ou 1,5% do PIB.
 
Valor: Temos eleições neste ano. Será um período mais turbulento para os mercados?
 
Goldfajn: Sempre tem volatilidade nos mercados. Se, de alguma forma, houver indicação de que vai ter ajustes nas políticas, uma âncora para o ano que vem, isso basta. O que hoje é uma âncora sob o ponto de vista do prêmio de risco, dos juros, do câmbio, da bolsa é a percepção de que no ano que vem vai ter um ajuste que faça a política fiscal levar a uma dívida pública estável, que a inflação volte em direção à meta. Se tiver essa percepção, será menos volátil.
 
Valor: Teremos um ajuste independentemente de qual será o próximo governo?
 
Goldfajn: Um ajuste será necessário, a intensidade desse ajuste a gente não sabe, e essa é um pouco a dúvida em relação ao ano que vem. Você pode ter um ajuste mínimo necessário para manter as coisas estáveis, como você pode ter ajustes maiores que façam o Brasil retomar o crescimento.
 
Fonte: Casa das Graças

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