Apresentação

Caros leitores, esse blog foi criado com intuito de compartilhar informações sobre: Contabilidade, Gestão financeira, Auditoria, Economia, Controladoria, Empreendedorismo e Análise de Dados
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sábado, 16 de maio de 2020

Artigos: O uso de derivativos para hedge melhora os ratings de crédito das empresas brasileiras?


Este trabalho se propôs a identificar os fatores que podem explicar as atribuições dos ratings, com especial atenção ao impacto do uso de derivativos. A lacuna explorada por esta pesquisa reside no ineditismo em se analisar a percepção, por parte das agências de ratings, dos reflexos causados pelas informações relacionadas ao uso de derivativos pelas companhias brasileiras de capital aberto. Além disso, este estudo transfere os achados anteriores que se debruçaram sobre os analistas de ações para as agências de ratings, reforçando a discussão sobre a complexidade dos derivativos no processo de avaliação do risco de crédito. A contemporaneidade deste tema de pesquisa se dá pela recente adoção da norma International Financial Reporting Standards 9 (Comitê de Pronunciamentos Contábeis - Pronunciamento Técnico n. 48), que entrou em vigor em janeiro de 2018. A partir dessa normatização, a principal novidade apresentada neste artigo foi a verificação do reflexo do uso de derivativos utilizados pelas empresas com a finalidade de hedge nos seus ratings de créditos, ajudando a suprir uma lacuna empírica na literatura da área. Os resultados encontrados contestam a teoria de que o uso de derivativos para hedge é visto positivamente pelos investidores. No entanto, apesar de nenhum impacto significativamente estatístico ter sido encontrado nos ratings das empresas que utilizam derivativos, observou-se que as empresas que usam derivativos e têm os maiores valores nocionais foram as que receberam as melhores notas da agência Moody’s. Com isso, ampliamos o debate sobre a complexidade das informações atreladas ao uso dos derivativos. Foram analisados 2.090 ratings atribuídos a companhias não financeiras com ações negociadas na Brasil, Bolsa, Balcão [B]³ entre 2010 e 2016, por meio de análise dos dados em painel, conferindo maior robustez às análises e aos achados. Contrariando a hipótese central desta pesquisa, os resultados aqui apresentados mostram que, no Brasil, as empresas que se utilizam de instrumentos financeiros derivativos para hedge não recebem as melhores notas de classificação de crédito por parte das agências de ratings. Uma das principais contribuições deste estudo centra-se nos indícios de que as agências Standard & Poor's e Moody’s não foram capazes de incorporar, de maneira consistente, as informações relacionadas ao uso dos derivativos, ampliando a discussão sobre a complexidade desses instrumentos financeiros.

Autores:

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Artigo: ESTUDO SOBRE A CONTABILIZAÇÃO DE DERIVATIVOS SEGUNDO AS NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE

Opções de Mercado
Este estudo demonstra as regras contábeis concernentes à contabilização de derivativos e hedge, em concordância com a convergência das normas internacionais adotadas pelo Brasil e sua aplicabilidade nas companhias brasileiras. Doravante a pesquisa do acervo bibliográfico sobre o tema, agregado aos estudos empíricos realizados, formou-se uma base de conhecimentos capaz de averiguar os tipos de derivativos mais utilizados, assim como a finalidade de sua utilização. A partir da análise das demonstrações financeiras divulgadas, verificou-se o método de reconhecimento e mensuração adotado pelas instituições amostrais, e consequentemente, se tais métodos prezavam pela determinação legal.  Como desfecho, identificou-se que as organizações fazem uso de contratos a termo, contratos futuros, contrato de swaps e contratos de opções, geralmente com a finalidade de hedge, ou seja, visando a proteção de suas operações com ativos, passivos ou transações futuras altamente prováveis, cujos valores estão atrelados a variáveis incertas do mercado. Acentua-se que as empresas ainda estão em processo de absorção desses novos conceitos contábeis, bem como sua aplicação, que vem sendo introduzida gradativamente aos métodos contábeis, principalmente aqueles relativos a contabilidade de hedge ou hedge accouting. As organizações mais ousadas que já instituíram o uso diferenciado da contabilidade de hedge,  contemplaram seus efeitos no resultado, e apesar da desconfiança que possa  causar em diversos tipos de usuários, o hedge accouting assegura uma maior eficácia nos resultados dos relatórios financeiros, acentuando o desempenho real da instituição, sem transgredir os preceitos da representação fidedigna, bem como as demais normas e princípios contábeis.
 
Autor:
Michelle C Teixeira
 
 
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Bancos vão mudar regras que regem mercado de derivativos

                   Credit Suisse Group

Bancos: acordo para alterar os protocolos que regem o mercado de derivativos entrará em vigor a partir de janeiro de 2015
 
Os maiores bancos do mundo concordaram em alterar as regras que regem o mercado de derivativos, que movimenta 700 trilhões de dólares, publicou o Financial Times.
Dezoito bancos, que vão do Credit Suisse ao Goldman Sachs, concordaram em abrir mão do direito de "fechar" negócios com contratos de derivativos se uma instituição financeira entrar em apuros, disse o jornal, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
A Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA, na sigla em inglês), órgão que conduziu as negociações com os reguladores em nome da indústria, disse no mês passado que uma solução contratual estava progredindo bem.
Quando o Lehman Brothers quebrou em setembro de 2008, houve uma corrida para fechar contratos de derivativos na contabilidade do banco, o que causou caos nos mercados financeiros.
O acordo para alterar os protocolos que regem o mercado de derivativos, que entrará em vigor a partir de primeiro de janeiro de 2015, será anunciado nos próximos dias, segundo o Financial Times.
O porta-voz do Goldman Sachs Michael DuVally se recusou a comentar o assunto. Representantes do Credit Suisse não estavam disponíveis. Já a ISDA não tinha representantes disponíveis para falar fora do horário comercial.
 
Fonte: Exame

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Artigo: Precificação de Derivativos Exóticos no Mercado de Petróleo

                                  [Image_046.jpg]
Estudamos a precificação de opções exóticas nos mercados de petróleo e de seus derivados. Iniciamos com uma análise exploratória dos dados, revisitando suas propriedades estatísticas e fatos estilizados relacionados às volatilidades e correlações. Subsidiados pelos resultados de tal análise, apresentamos alguns dos principais modelos forward para commodities e um vasto conjunto de estruturas determinísticas de volatilidades, bem como os respectivos métodos de calibragem, para os quais executamos testes com dados reais. Para melhorar o desempenho de tais modelos na precificação do smile de volatilidade, reformulamos o modelo de volatilidade estocástica de Heston para lidar com uma ou múltiplas curvas forward, permitindo sua utilização na precificação de contratos definidos sobre múltiplas commodities. Calibramos e testamos tais modelos a partir de dados reais dos mercados de petróleo, gasolina e gás, e comprovamos a sua superioridade frente aos modelos de volatilidade determinística. Para subsidiar a precificação de opções exóticas e contratos OTC, revisitamos dos pontos de vista teórico e prático assuntos como simulação de Monte Carlo, soluções numéricas para SDEs e exercício americano. Finalmente, por meio de uma bateria de simulações numéricas, mostramos como os modelos podem ser utilizados na precificação de opções exóticas que tipicamente ocorrem nos mercados de commodities, como as calendar spread options, crack spread options e as opções asiáticas.
 
 
Autor: Diogo Barboza Gobira
 
 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Artigo: O USO DE INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVATIVOS PELAS INSTITUIÇÕES INTERMEDIÁRIAS FINANCEIRAS LISTADAS NA BMFBOVESPA

                                           
O presente trabalho teve como objetivo identificar variáveis que influenciam o uso de instrumentos financeiros derivativos pelas instituições intermediárias financeiras do Brasil listadas na BM&FBOVESPA, bem como identificar para qual finalidade estas instituições utilizam os instrumentos financeiros derivativos no período de 2006 a 2011. A coleta dos dados foi realizada por meio de análise de conteúdo nas Notas Explicativas e no Balanço Patrimonial disponíveis no sítio da Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA, e os dados foram analisados por meio da técnica de regressão para dados em painel, estimados pelo Método Generalizado dos Momentos (GMM) de Arellano e Bond (1991). Os resultados demonstraram que as instituições analisadas utilizam derivativos principalmente para o gerenciamento de risco (68%), ou seja, usam derivativos para se proteger de prejuízos que possam ocorrer devido as variações nos preços e taxas do mercado. Quanto aos tipos de derivativos mais utilizados, verificou-se que foram os contratos de opções (56,3%), swap (20%) e contratos futuros (19,2%). Já derivativos indexados em taxa de juro (41%) e taxa de câmbio (35%) apresentam-se em maior proporção. Com base nas análises de regressão pode-se determinar que as variáveis que influenciam positivamente o uso de instrumentos financeiros derivativos estão relacionadas com as próprias variáveis dependentes defasadas em um período, a variável ATIVO e a variável do mercado financeiro TXCÂMBIO. Já em relação à influência negativa, destacaram-se PL, RECEITA e TXJURO.
 
Autores:
Tatiane de Oliveira Marques,
Sergio Murilo Petri
 
Veja:

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Artigo: Utilização de Derivativos e Hedge Accounting nas Empresas Brasileiras e Japonesas Negociadas na NYSE

                         NYSE caters to HFT with new ETP incentive program NYSE Aids HFT By Reviving Dormant Exchange Traded Products
Os instrumentos financeiros derivativos têm sido mais utilizados desde os anos de 1990, assim como o hedge. Devido a sua importância nos diversos mercados financeiros, a Contabilidade desenvolveu o Hedge Accounting, metodologia que busca trazer maior evidenciação e controle para as operações que envolvem investimentos e hedges. Estudos demonstram que países economicamente mais desenvolvidos tendem a utilizar mais a ferramenta do hedge e, por consequência, do Hedge Accounting. Este trabalho busca identificar se há diferenças na utilização de derivativos e do Hedge Accounting em empresas de países diferentes, porém com ações negociadas em um mesmo mercado. Para tanto, foram analisadas as demonstrações contábeis de 2010 das empresas brasileiras e japonesas negociadas na NYSE, totalizando 25 empresas brasileiras e 15 japonesas. Identificou-se que, com exceção de uma empresa brasileira, todas as outras operam com derivativos e delas, todas utilizam hedge como forma de proteção aos riscos. Com relação ao Hedge Accounting, os resultados mostram que, enquanto 42% das empresas brasileiras utilizam tal metodologia para avaliar seus investimentos, 87% das japonesas utilizam. Os resultados deste trabalho sugerem que as empresas japonesas, representando uma economia mais desenvolvida, utilizam mais a ferramenta de Hedge Accounting, assim como suas formas de disclosure, em comparação às empresas brasileiras.
 
Autores:
Eduardo Bona Safe de Matos,
Ricardo Borges de Rezende,
Edilson Paulo, Matheus de Mendonça Marques,
Lucas Oliveira Gomes Ferreira
 
Veja:

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A crise mudou a economia nos últimos cinco anos, mas ainda não foi resolvida

 
A crise mudou a economia nos últimos cinco anos, mas ainda não foi resolvida
por Daniela Magalhães Prates e Maryse Farhi
 
A falência do banco Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008 transformou a crise (até então) subprime numa crise financeira global.  Decorridos cinco anos desse “dia D”, essa crise ainda não foi superada na perspectiva aqui defendida. Na realidade, nesse quinquênio, ela passou por uma metamorfose, que englobou diferentes fases. A primeira e mais aguda estendeu-se desta falência ao final de 2008 e se caracterizou pela virtual paralisia do sistema financeiro internacional, que contagiou praticamente todos os países avançados e emergentes. No caso desses últimos, um dos principais canais de transmissão foi a retração dos fluxos de capitais e as abruptas depreciações cambiais. Todavia, essa fase foi efêmera. Já no segundo trimestre de 2009, emergiu a segunda fase da crise caracterizada pela recuperação dos preços dos ativos e expectativas de retomada econômica, em função das políticas fiscais e monetárias anticíclicas adotadas na fase precedente. Nesse contexto, os fluxos de capitais começaram a fluir novamente para as economias emergentes em busca de ganhos especulativos num contexto de taxas de juros historicamente baixas, expansão da liquidez nos países centrais e redução da aversão aos riscos em âmbito global.
Assim, a própria metamorfose da crise deu origem, num curto período de tempo, ao quarto boom de fluxos de capitais e de apetite por riscos desde o colapso do regime de Bretton Woods. Como nos ciclos precedentes, os principais determinantes do retorno dos capitais estrangeiros para as economias emergentes foram os chamados push factors (fatores externos), sobretudo as condições monetárias frouxas nos países centrais e, em especial, no país emissor da divisa-chave, os Estados Unidos. Ademais, a dimensão inédita das ações anticíclicas (monetária e fiscal) conseguiu evitar a depressão, contribuindo para a rápida redução da aversão global ao risco, outro condicionante fundamental da dinâmica desses capitais. Nesse contexto, as operações de currency carry trade e arbitragem de juros ressurgiram com toda força. Esse boom se sustentou (embora permeado por períodos de desaceleração) na terceira fase da crise, que teve início no primeiro trimestre de 2010, com a eclosão da crise da área do Euro e a desaceleração econômica nos países avançados (que resultou em expectativas crescente de um double dip). No segundo trimestre de 2013 parece ter emergido uma quarta fase, marcada pela saída da recessão da área do Euro e pela alta das taxas de juros dos títulos de longo prazo do tesouro americano em resposta à sinalização do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que dará início à desaceleração da política de afrouxamento quantitativo ainda esse ano.
A perspectiva de normalização da política monetária americana resultou num movimento de liquidação de posições em ativos dos países emergentes, implicando fortes depreciações de suas moedas (alta das taxas de câmbio), em alguns casos superiores às registradas na primeira fase. Isto porque, como o sistema monetário e financeiro internacional é hierárquico e assimétrico, essas moedas (que não são aceitas internacionalmente seja como meio de troca, unidade de conta ou reserva de valor) são as primeiras a serem vendidas pelos investidores globais nos momentos de aumento da aversão ao risco.
A moeda brasileira, o Real, ocupou a primeira posição no ranking de depreciação até o final de agosto.  Essa liderança decorre, principalmente, de uma especificidade do mercado de câmbio brasileiro, qual seja, o papel fundamental do seu segmento de derivativos na dinâmica da taxa de câmbio nominal devido à sua maior liquidez e profundidade que o mercado à vista – características que estão associadas à natureza non-deliverable dos derivativos cambiais no Brasil e ao elevado grau de abertura financeira do país, que permite o livre acesso dos investidores estrangeiros a esse segmento desde janeiro de 2001. Essa especificidade potencializa a possibilidade de especulação contra o Real devido ao alto grau de alavancagem desses instrumentos. Investidores estrangeiros passaram de uma posição vendida líquida em dólar na BM&FBovespa de 63 mil contratos em 24 de maio para uma posição comprada de 232 mil contratos em 27 de julho, que equivalem a um valor nocional de US$ 11,6 bilhões (um pouco inferior ao recorde de apostas em prol da apreciação do real na fase 3 da crise, de US$ 12,7 bilhões em abril de 2011). Também vale mencionar que esse valor é quase três vezes superior ao déficit do movimento de câmbio no acumulado de junho e julho (US$ 4 bilhões).
Essa especificidade também ampliou os dilemas de política macroeconômica enfrentados pelo governo brasileiro ao longo das diversas fases da crise. Nas fases 2 e 3, para conseguir deter a trajetória de apreciação cambial (e a consequente perda de competitividade da indústria brasileira), além de recorrer a controles de capitais e instrumentos de regulação financeira prudencial (o recolhimento compulsório sobre posições vendidas no mercado de câmbio à vista) que afetam o ingresso de recursos externos, as autoridades econômicas tiveram que adotar um terceiro instrumento de regulação financeira, visando os derivativos cambiais (o IOF de 1% sobre as posições vendidas superiores a US$ 10 mil no mercado de derivativos cambiais, que vigorou entre o final de julho de 2011 e o início de junho de 2013). Esse instrumento foi necessário para desestimular o principal determinante da apreciação cambial naquelas fases, as operações de derivative carry trade, que consistem em posições vendidas em dólar (a moeda com taxa de juros mais baixa) e comprada em real (a moeda com taxa de juros mais alta) no mercado de derivativos carregadas por investidores estrangeiros, investidores institucionais nacionais e bancos residentes (os três principais grupos de agentes que atuam nesse mercado). Assim, nesse caso, controles de capitais (que, como o próprio nome diz, incidem sobre fluxos de capitais estrangeiros que cursam pelo mercado de câmbio à vista e são registrados na conta financeira) não são eficazes. Ou seja, diante do elevadíssimo patamar da taxa de juros básica brasileira até aquele momento, o Brasil foi destino privilegiado não somente do boom de fluxos de capitais, mas também (e principalmente) do movimento de “search for yield” mediante o derivative carry trade.
A regulação dos derivativos cambiais foi eficaz, mas, em contrapartida foi vítima da mesma miopia que contamina os investidores nas fases de euforia, ou seja, a crença de que os movimentos de valorização (dos ativos e moedas) nunca se reverterão. Com isso, o CMN determinou que o IOF (que poderia chegar a 25%) penalizaria somente a especulação excessiva a favor da apreciação do real, deixando isentas as apostas excessivas na depreciação do real (posições compradas em dólar na BM&FBovespa). Se essa regulação tivesse sido simétrica, punindo os excessos dos dois lados, a depreciação do real na fase 4 da crise não teria sido tão expressiva. O IOF “market unfriendly” sobre as posições vendidas não chegou a provocar reações extremas naquele momento de euforia. Já no contexto atual, uma taxação sobre posições compradas provavelmente exacerbaria as expectativas negativas num contexto de deterioração da credibilidade da política econômica. Assim, o governo optou pela intervenção cambial mediante operações de swaps cambiais. Ironicamente, a especificidade do mercado de câmbio brasileiro (com destaque para a natureza non-deliverable dos derivativos cambiais) aumenta o raio de manobra da política cambial, que não precisou, até o momento, recorrer à venda efetiva de reservas cambiais para conter o movimento de depreciação. Todavia, vale lembrar que os swaps, embora “friendly”, oneram as contas públicas, enquanto o “unfriendly” IOF sobre as posições compradas excessivas teria um efeito positivo sobre a situação fiscal – atendendo a principal demanda atual do “mercado”.
A regulação dos fluxos de capitais (e, no caso do Brasil, dos derivativos cambiais), são instrumentos que ampliam o grau de liberdade das políticas cambial e monetária nas economias emergentes nas duas fases do ciclo (de apetite por e aversão aos riscos). Contudo, o timing da adoção de medidas regulatórias também é relevante.
 
*Profas. do IE-Unicamp e Associadas da Associação Keynesiana Brasileira
 
Fonte:  Carta Capital

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A metamorfose da crise e a regulação dos derivativos

                 
A crise mudou a economia nos últimos cinco anos, mas ainda não foi resolvida
A falência do banco Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008 transformou a crise (até então) subprime numa crise financeira global.  Decorridos cinco anos desse “dia D”, essa crise ainda não foi superada na perspectiva aqui defendida. Na realidade, nesse quinquênio, ela passou por uma metamorfose, que englobou diferentes fases. A primeira e mais aguda estendeu-se desta falência ao final de 2008 e se caracterizou pela virtual paralisia do sistema financeiro internacional, que contagiou praticamente todos os países avançados e emergentes. No caso desses últimos, um dos principais canais de transmissão foi a retração dos fluxos de capitais e as abruptas depreciações cambiais. Todavia, essa fase foi efêmera. Já no segundo trimestre de 2009, emergiu a segunda fase da crise caracterizada pela recuperação dos preços dos ativos e expectativas de retomada econômica, em função das políticas fiscais e monetárias anticíclicas adotadas na fase precedente. Nesse contexto, os fluxos de capitais começaram a fluir novamente para as economias emergentes em busca de ganhos especulativos num contexto de taxas de juros historicamente baixas, expansão da liquidez nos países centrais e redução da aversão aos riscos em âmbito global.
Assim, a própria metamorfose da crise deu origem, num curto período de tempo, ao quarto boom de fluxos de capitais e de apetite por riscos desde o colapso do regime de Bretton Woods. Como nos ciclos precedentes, os principais determinantes do retorno dos capitais estrangeiros para as economias emergentes foram os chamados push factors (fatores externos), sobretudo as condições monetárias frouxas nos países centrais e, em especial, no país emissor da divisa-chave, os Estados Unidos. Ademais, a dimensão inédita das ações anticíclicas (monetária e fiscal) conseguiu evitar a depressão, contribuindo para a rápida redução da aversão global ao risco, outro condicionante fundamental da dinâmica desses capitais. Nesse contexto, as operações de currency carry trade e arbitragem de juros ressurgiram com toda força. Esse boom se sustentou (embora permeado por períodos de desaceleração) na terceira fase da crise, que teve início no primeiro trimestre de 2010, com a eclosão da crise da área do Euro e a desaceleração econômica nos países avançados (que resultou em expectativas crescente de um double dip). No segundo trimestre de 2013 parece ter emergido uma quarta fase, marcada pela saída da recessão da área do Euro e pela alta das taxas de juros dos títulos de longo prazo do tesouro americano em resposta à sinalização do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que dará início à desaceleração da política de afrouxamento quantitativo ainda esse ano.
A perspectiva de normalização da política monetária americana resultou num movimento de liquidação de posições em ativos dos países emergentes, implicando fortes depreciações de suas moedas (alta das taxas de câmbio), em alguns casos superiores às registradas na primeira fase. Isto porque, como o sistema monetário e financeiro internacional é hierárquico e assimétrico, essas moedas (que não são aceitas internacionalmente seja como meio de troca, unidade de conta ou reserva de valor) são as primeiras a serem vendidas pelos investidores globais nos momentos de aumento da aversão ao risco.
A moeda brasileira, o Real, ocupou a primeira posição no ranking de depreciação até o final de agosto.  Essa liderança decorre, principalmente, de uma especificidade do mercado de câmbio brasileiro, qual seja, o papel fundamental do seu segmento de derivativos na dinâmica da taxa de câmbio nominal devido à sua maior liquidez e profundidade que o mercado à vista – características que estão associadas à natureza non-deliverable dos derivativos cambiais no Brasil e ao elevado grau de abertura financeira do país, que permite o livre acesso dos investidores estrangeiros a esse segmento desde janeiro de 2001. Essa especificidade potencializa a possibilidade de especulação contra o Real devido ao alto grau de alavancagem desses instrumentos. Investidores estrangeiros passaram de uma posição vendida líquida em dólar na BM&FBovespa de 63 mil contratos em 24 de maio para uma posição comprada de 232 mil contratos em 27 de julho, que equivalem a um valor nocional de US$ 11,6 bilhões (um pouco inferior ao recorde de apostas em prol da apreciação do real na fase 3 da crise, de US$ 12,7 bilhões em abril de 2011). Também vale mencionar que esse valor é quase três vezes superior ao déficit do movimento de câmbio no acumulado de junho e julho (US$ 4 bilhões).
Essa especificidade também ampliou os dilemas de política macroeconômica enfrentados pelo governo brasileiro ao longo das diversas fases da crise. Nas fases 2 e 3, para conseguir deter a trajetória de apreciação cambial (e a consequente perda de competitividade da indústria brasileira), além de recorrer a controles de capitais e instrumentos de regulação financeira prudencial (o recolhimento compulsório sobre posições vendidas no mercado de câmbio à vista) que afetam o ingresso de recursos externos, as autoridades econômicas tiveram que adotar um terceiro instrumento de regulação financeira, visando os derivativos cambiais (o IOF de 1% sobre as posições vendidas superiores a US$ 10 mil no mercado de derivativos cambiais, que vigorou entre o final de julho de 2011 e o início de junho de 2013). Esse instrumento foi necessário para desestimular o principal determinante da apreciação cambial naquelas fases, as operações de derivative carry trade, que consistem em posições vendidas em dólar (a moeda com taxa de juros mais baixa) e comprada em real (a moeda com taxa de juros mais alta) no mercado de derivativos carregadas por investidores estrangeiros, investidores institucionais nacionais e bancos residentes (os três principais grupos de agentes que atuam nesse mercado). Assim, nesse caso, controles de capitais (que, como o próprio nome diz, incidem sobre fluxos de capitais estrangeiros que cursam pelo mercado de câmbio à vista e são registrados na conta financeira) não são eficazes. Ou seja, diante do elevadíssimo patamar da taxa de juros básica brasileira até aquele momento, o Brasil foi destino privilegiado não somente do boom de fluxos de capitais, mas também (e principalmente) do movimento de “search for yield” mediante o derivative carry trade.
A regulação dos derivativos cambiais foi eficaz, mas, em contrapartida foi vítima da mesma miopia que contamina os investidores nas fases de euforia, ou seja, a crença de que os movimentos de valorização (dos ativos e moedas) nunca se reverterão. Com isso, o CMN determinou que o IOF (que poderia chegar a 25%) penalizaria somente a especulação excessiva a favor da apreciação do real, deixando isentas as apostas excessivas na depreciação do real (posições compradas em dólar na BM&FBovespa). Se essa regulação tivesse sido simétrica, punindo os excessos dos dois lados, a depreciação do real na fase 4 da crise não teria sido tão expressiva. O IOF “market unfriendly” sobre as posições vendidas não chegou a provocar reações extremas naquele momento de euforia. Já no contexto atual, uma taxação sobre posições compradas provavelmente exacerbaria as expectativas negativas num contexto de deterioração da credibilidade da política econômica. Assim, o governo optou pela intervenção cambial mediante operações de swaps cambiais. Ironicamente, a especificidade do mercado de câmbio brasileiro (com destaque para a natureza non-deliverable dos derivativos cambiais) aumenta o raio de manobra da política cambial, que não precisou, até o momento, recorrer à venda efetiva de reservas cambiais para conter o movimento de depreciação. Todavia, vale lembrar que os swaps, embora “friendly”, oneram as contas públicas, enquanto o “unfriendly” IOF sobre as posições compradas excessivas teria um efeito positivo sobre a situação fiscal – atendendo a principal demanda atual do “mercado”.
A regulação dos fluxos de capitais (e, no caso do Brasil, dos derivativos cambiais), são instrumentos que ampliam o grau de liberdade das políticas cambial e monetária nas economias emergentes nas duas fases do ciclo (de apetite por e aversão aos riscos). Contudo, o timing da adoção de medidas regulatórias também é relevante.
 
*Profas. do IE-Unicamp e Associadas da Associação Keynesiana Brasileira
 
Fonte: Carta Capital

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Artigo: Hedge e especulação com derivativos cambiais_evidências de operações cotidianas

                        
Este trabalho investiga a dinâmica no uso de derivativos de moedas por parte de empresas não financeiras brasileiras a partir de um banco de dados único, que contém 29 mil operações de balcão efetivamente contratadas por essas empresas junto a um grande banco internacional, entre 2003 e 2011. Embora pesquisas no Brasil (Novaes & Oliveira, 2005; Rossi, 2011) e nos EUA (Géczy, Milton, & Schrand, 2007) apontem para a existência de uma conduta especulativa nas decisões dos gestores, o efetivo impacto desse tipo de comportamento nas decisões da empresa ainda é pouco conhecido, bem como suas implicações para a gestão financeira de riscos e a governança corporativa. Nossa metodologia compara os retornos de contratos que foram mantidos até o vencimento, com os de contratos cuja liquidação foi antecipada pelas empresas. Os resultados mostram que, no período de 2003 a 2008, houve um forte componente especulativo nas decisões cotidianas de tomada e desmonte de posições com derivativos cambiais das empresas. Já no período de 2009 a 2011, não se identifica tal comportamento especulativo, em linha com os resultados de Coutinho, Sheng e Lora (2012). Os resultados reforçam a evidência de que as grandes perdas com derivativos cambiais em 2008 tenham funcionado como um alerta para gestores, conselheiros, investidores e reguladores, que passaram a monitorar mais atentamente as operações com derivativos.
 
Autores:
LOPES, João Luiz Guillaumon;
SCHIOZER, Rafael Felipe  e    
SHENG, Hsia Hua.
 
Veja:
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Citigroup contrata modelo como VP de venda de derivativos


                 

Kimberly Stolz, ex-"America Next Top Model" e apresentadora da MTV, já foi estagiária do Goldman Sachs

Por Mariana Mandrote 

O norte-americano Citigroup contratou a ex-participante do reality show "America's Next Top Model" e apresentadora da MTV, Kimberly Stolz para trabalhar com a venda de derivativos de ações. A informação é da agência Bloomberg, que cita fontes anônimas.
Segundo a publicação, Kimberly, de 29 anos, deixou a corretora BTIG LLC para se juntar ao Citigroup. Ela será uma vice-presidente e se reportará a David Silber, chefe da divisão de vendas de derivativos de ações. Simon Yates supervisiona os derivativos de ações globais.
A modelo e o porta-voz do Citi em Nova York, Scott Helfman, se recusaram a comentar o assunto, segundo a agência.
Informações do perfil de Kimberly na rede social LinkedIn mostram que ela começou a trabalhar na BTIG em 2010, atuando na área de derivativos de ações. Em 2004, a modelo passou pelo Goldman Sachs, como estagiária.


Fonte: Infomoney
http://www.infomoney.com.br/citigroup/noticia/2539700/Citigroup-contrata-modelo-como-venda-derivativos

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CME pretende abrir bolsa de derivativos na Europa

                                      
A Chicago Mercantile Exchange (CME, na sigla em inglês), maior bolsa de derivativos do mundo, planeja se estabelecer na Europa e vai pedir em alguns dias uma licença à Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido (FSA, na sigla em inglês), de acordo com duas pessoas familiarizadas ao assunto.
A iniciativa da CME de atuar diretamente no Reino Unido é parte de seu plano agressivo de expansão além de seu mercado de origem, os Estados Unidos. Trata-se uma revisão de estratégia global de uma das maiores bolsas do mundo.
A nova bolsa, que deve ser lançada no segundo trimestre do próximo ano de acordo com algumas fontes, é um movimento da CME de seguir sua rival, a IntercontinentalExchange (ICE) no mercado europeu de derivativos, e deverá colocar a CME em concorrência direta com a NYSE Liffe.
A licença solicitada pela CME, que permite que suas bolsas possam ser operadas no Reino Unido, seria a sexta emitida pela FSA, mas a única dos últimos cinco anos. Em 2009, o CME - que tinha uma pequena presença em Londres desde 1979 - deu início a um processo de investimentos agressivos na Europa, Oriente Médio e Ásia. Nos últimos quatro anos, a empresa transferiu sua equipe de metais para Londres, lançou a CME Clearing Europe e adquiriu 50% de participação na Bolsa de Dubai.
Embora a CME tenha parcerias com outras bolsas estrangeiras para o desenvolvimento da base de seus produtos e para conquistar a presença global, esta é a primeira vez que ela lança uma operação própria fora dos Estados Unidos. A aquisição da LME poderia ter resultado na obtenção de um uma licença de derivativos, mas a bolsa de Chicago não estava disposta a cobrir o valor de 1,388 bilhão de libras esterlinas que as Bolsas de Hong Kong & Clearing depois aceitaram pagar para a LME, em junho.
A CME vem considerando a criação da bolsa europeia há algum tempo, afirma uma fonte, mas seus planos foram congelados há um ano, quando houve uma guerra de ofertas pela London Metal Exchange (LME, na sigla em inglês), de Londres.
Os maiores mercados estão revendo suas estratégias globais após uma série de falhas que aconteceram em grandes fusões entre bolsas do mundo para conquistar a presença global. A ação da CME de pedir licença ao Reino Unido reforça a importância da criação de uma entidade com regulação local como forma de tentar conquistar presença internacional. Embora traders de todo o mundo possam ter acesso à CME nos Estados Unidos, muitas corretoras preferem operar em uma base regional, seguindo regras locais.
Uma fonte afirma que "ao criar um mercado de trocas europeu, os membros da CME serão capazes de negociar contratos regionalmente relevantes, denominados em moedas locais, em fusos horários relevantes e com potencial de atingir a margem de eficiência na compensação de seus contratos."
A CME criou uma entidade britânica legal para fazer compensações na Europa depois que ficou claro que os consumidores na região se sentem mais confortáveis fazendo compensações em uma empresa com regulamentação local. As informações são da Down Jones.

Fonte: Diario do grande ABC

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