
O objetivo desse estudo foi verificar em que extensão as dimensões culturais impactam a prática contábil no Brasil. Para tanto, no que fiz respeito às dimensões culturais, recorreu-se ao questionário Valued Survery Model 08 (VSM 08) adaptado construído por Hofstede em 2008 e sua versão em português e para a captura das práticas contábeis, recorreu-se ao questionário estruturado com perguntas diretas aos operadores da Contabilidade utilizado, originalmente, por Chanchani e Willett (2004) e replicado por Almeida e Lisboa (2011) e Karabinar, Canel e Öktem (2012). A amostra final contou com um total de 449 respondentes, a nível nacional, divididos nos seguintes grupos de operadores: usuários da contabilidade, professores de contabilidade, profissionais de contabilidade e alunos de contabilidade. Tendo em vista que há um número diversificado de variáveis para capturar as dimensões culturais e às práticas contábeis, recorreu-se à Analise Fatorial Exploratória (AFE). Os fatores foram extraídos através da Análise dos Componentes Principais e com extração Varimax. Após a análise fatorial, foi realizada uma regressão múltipla com os fatores extraídos onde a variável dependente foram as práticas contábeis e as variáveis independentes corresponderam às dimensões culturais. Os resultados encontrados indicam que os operadores da contabilidade são principalmente conservadores e as dimensões culturais que mais impactam a prática contábil são aversão à incerteza e distância do poder. Concluiu-se que não é possível inferir que, num primeiro momento, a adoção de normas contábeis internacionais proporciona uma melhoria do processo contábil já que os países onde essas normas originalmente foram concebidas (tradição jurídica do commom law) apresentam uma baixa aversão a incerteza e a distância do poder algo contrário do que foi encontrado nessa investigação.
Autor:
Bruno Jesus de Lima
Veja
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