Nesta
pesquisa, analisou-se a relação entre governança corporativa e valor de mercado
de empresas brasileiras de capital aberto em períodos de crise e de não crise.
O horizonte investigado envolveu o período de 2000 a 2009, segmentando-o em:
crises locais (2000-2002); não crise (2003-2007); e crise global (2008-2009).
Os mecanismos de governança analisados foram: estrutura de propriedade e
controle, conselhos de administração, compensação aos gestores, transparência e
proteção aos acionistas minoritários. Esses mecanismos foram agregados em um
índice de governança, utilizando a análise de componentes principais. Em
seguida, utilizou-se o modelo de regressão com dados em painel, para investigar
a relação entre o índice de governança e os aspectos de valor no contexto brasileiro.
Trabalhou-se com os seguintes indicadores: Q de Tobin, market-to-book considerando o ativo total, e taxa de
retorno ajustada ao risco. Como resultados, constatou-se que a estrutura de
propriedade e controle foi o mecanismo menos relevante em todo o período. No
período de crises locais, a dimensão de governança mais importante foi a compensação
aos gestores. Nos períodos de não crise e de crise global, o mecanismo de governança
mais relevante foi a proteção aos acionistas minoritários. A transparência se mostrou
menos significativa no decorrer do estudo. Os mecanismos referentes a conselho
de administração cresceram em relevância, apesar de se mostrarem menos
importantes que a compensação e a proteção. No que se refere às principais
relações investigadas, constatou-se que empresas bem governadas possuem maior
valor de mercado no período de crise global (2008-2009) e que os investidores
exigem uma menor taxa de retorno ajustada ao risco das empresas bem governadas
no período da crise do subprime
americano, sendo que
isso não foi observado no período total desta investigação.
Autores:
Dra.
Fernanda Maciel Peixoto (Universidade Federal de Uberlândia),
Dr.
Hudson Fernandes Amaral (Universidade Federal de Minas Gerais),
Dra.
Laíse Ferraz Correia (CEFET-MG),
Dr. João Carlos Carvalho das Neves (Universidade Técnica de Lisboa).
Veja:
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