Este artigo discute a relevância da gestão do conhecimento no ambiente organizacional, abordando em suas nuances quais papéis e atores são necessários para a definição de um meio ambiente eficaz para produção do conhecimento.
Desde a década de 1990, a "Gestão do Conhecimento" se tornou a avant-garde dos processos de gestão. Os pesquisadores, consultores e especialistas desta área incentivavam as empresas atuais a considerar a criação do conhecimento como uma fonte de vantagem competitiva, visando à construção de um ambiente de aprendizado para preencher as demandas de uma sociedade do conhecimento pós-industrial.
A revolução no campo do conhecimento não leva apenas a ratificação de uma sociedade do conhecimento contemporânea, mas vem a corroborar uma economia do conhecimento, com organizações de conhecimento e trabalhadores do conhecimento, gerando uma fonte de subsídios suficientes para esculpir o conceito de "Gestão do Conhecimento".
Conceitos
Sociedades do conhecimento – As Sociedades do Conhecimento apresentam uma dinamicidade recorrente, exigindo um significativo investimento em ferramentas que visam melhorar a eficiência no processo de ensino e aprendizagem. É uma sociedade onde a criação, compartilhamento e uso do conhecimento são fatores-chave para a prosperidade e o bem-estar das pessoas.
A inserção desses novos requisitos contrasta com as sociedades anteriores pela sua complexibilidade e mutabilidade dos cenários. Apresentam antagonismo redundante ao analisarmos tanto sociedades agrícolas, que tinham a agricultura como chave para a sobrevivência, como sociedades industriais onde a produção em massa de bens gerava a maioria da riqueza. Na emergente sociedade do conhecimento o capital intelectual é a chave para a criação de riqueza e melhoria da qualidade de vida.
"O conhecimento e a capacidade de criá-lo e utiliza-lo são consideradas as mais importantes fontes de vantagem competitiva, sustentável de uma empresa."
(Nonaka, 1991; Drucker, 2003; Nonaka e Takeuchi, 1995 e 2008).
(Nonaka, 1991; Drucker, 2003; Nonaka e Takeuchi, 1995 e 2008).
Economia do Conhecimento – É uma economia que gira em torno da criação, compartilhamento e uso do conhecimento e da informação para gerar riqueza e melhorar a qualidade de vida.
Organização do Conhecimento – As organizações do Conhecimento são as mantenedoras das Economias do conhecimento, são as organizações que criam, compartilham e mensuram esse conhecimento.
Gestão do Conhecimento – Como o conhecimento se torna mais valioso, há uma crescente necessidade de gerir de forma eficaz e utilizar o seu pleno benefício, o que gera um aumento da utilização do conceito.
Trabalhador do Conhecimento - Uma pessoa que oferece valor por meio da geração, compartilhamento ou aplicação de ideias. Pode aplicar-se igualmente a um eminente cientista, um artesão ou uma recepcionista com um conhecimento sobre cada individuo e o seu papel na organização.
Criação do Conhecimento
Peter Drucker em sua "Administração por Objetivos", ainda na década de 1960, defendia que a informação só se torna conhecimento nas mãos de alguém que sabe o que fazer com ela (Drucker, 2003).
Ao analisar de uma forma ontológica, percebe-se que o conhecimento é criado apenas pelos indivíduos. Uma organização não pode criar conhecimento, mas somente apoiar os indivíduos criativos ou proporcionar contextos para que estes criem o conhecimento. Segundo Nonaka (Nonaka e Takeuchi, 2008), a criação do conhecimento organizacional deve ser compreendida como um processo que amplifica "organizacionalmente" o conhecimento criado pelos indivíduos e o transforma em parte da rede de conhecimentos da organização.
Quanto à forma epistemológica, o conhecimento pode ser definido em dois componentes dicotômicos e aparentemente opostos, o conhecimento explícito e o conhecimento tácito.
O conhecimento explícito pode ser expresso em palavras, números ou sons, e compartilhado na forma de dados, fórmulas científicas, recursos visuais, fitas de áudio, especificações de produtos ou manuais. O conhecimento explícito pode ser rapidamente transmitido aos indivíduos, formal e sistematicamente.
O conhecimento tácito, por outro lado, não é facilmente visível ou explicável. Pelo contrário, é altamente pessoal e difícil de formalizar, tornando-se de comunicação e compartilhamento dificultoso. As intuições e os palpites subjetivos estão sob a rubrica do conhecimento tácito. O conhecimento tácito está profundamente enraizado nas ações e nas experiências corporais do indivíduo, assim como nos ideais, valores ou emoções que ele incorpora (Nonaka e Takeuchi, 2008).
Papéis e atores
Ao analisar a metodologia CKIM* utilizada pela KMCI*[8], é possível dividir o processo de Gestão do Conhecimento em dois grupos: as Generalidades da Gestão do Conhecimento e a Engenharia do Meio Ambiente do Conhecimento.
* CKIM "Certificate in Knowledge and Innovation Management" realizado pela KMCI "Knowledge Management Consortium International" é o maior programa de certificação em Gestão do Conhecimento no mundo projetado para fornecer competências e apoio aos profissionais desta área.
A metodologia descreve que o foco das "Generalidades da Gestão do Conhecimento" está na gestão do conhecimento, do ponto de vista de um gerente ou executivo. Projetado para preparar um profissional de Gestão do Conhecimento, para assumir o papel de Chief Knowledge Officer (CKO).
O CKO tem como papel principal, interagir com a alta administração sobre o valor estratégico da gestão do conhecimento e desenvolve planos de negócio e relatórios financeiros que justificam o investimento. O treinamento em "Generalidades da Gestão do Conhecimento" se concentra no lado analítico da Gestão do Conhecimento.
A "Engenharia do Meio Ambiente do Conhecimento" se concentra na concepção de ambientes para o processamento do conhecimento. O foco principal do programa é definir modelos, desenhos, medidas, padrões e transformar o ambiente utilizado, com o intuito de ajudar a organização a atingir seu objetivo mais rápido e de forma mais eficaz, a partir, de uma perspectiva de Gestão do Conhecimento.
As qualidades e atributos do Chief Knowledge Officer (CKO)
As qualidades e atributos exigidos ao CKO são multidisciplinares por natureza. O seu principal foco são os ativos intangíveis, oposto ao CFO (Chief Financial Officer) que tem o foco em ativos tangíveis. Para ascender ao nível de um CKO, o profissional precisa ter habilidades em todos os papéis descritos abaixo e ainda ter qualificações adicionais de gestão de pessoas.
Para uma boa gestão do Chief Knowledge Officer (CKO) são recomendados os dois principais atributos de um bom Gestor: Liderança e Gerenciamento. Ele precisa ser estrategista para entender e mensurar as implicações do uso da Gestão do Conhecimento na transformação da organização, ao mesmo tempo em que ele precisa para ser um bom Líder, para ouvir as ideias das pessoas, incorporá-las e fomentá-las, encaixando-as na visão de conhecimento organizacional.
"Gerenciamento implica o exercício de controle para conquistar obediência na execução das tarefas. Liderança está fundamentada sobre relacionamentos interdependentes que geram compromisso sincero. As duas coisas têm objetivo e foco semelhantes, mas se dirigem ao destino final através de caminhos diferentes".
Outro atributo importante e a expertise em tecnologia da Informação (TI), já que esta pode contribuir para a captura, armazenamento, rastreabilidade e distribuição de informação.
Embora não seja obrigatório, uma especialização na área de humanas, como sociologia, psicologia, economia, história ou ciência política é muito útil, quiçá essencial para a gestão do conhecimento tácito, onde seu papel é mais o de criação de um ambiente social que estimule e incentive a criação de conhecimento e o seu intercâmbio.
Outros papéis e atores
O campo de Gestão de Conhecimento ainda está evoluindo, mas tem opções de carreira, como Engenheiros de Conhecimento, que olham para os aspectos tecnológicos da Gestão do Conhecimento e devem dominar e em alguns casos desenvolver os softwares disponíveis para a captura, armazenamento e recuperação de ativos de conhecimento colaborativos. Gestores de Conhecimento que abordam a cultura de Gestão do Conhecimento e disseminam na empresa, os Editores de Conhecimento, que tem como principal atribuição a de lidar com o conteúdo e a composição do conhecimento. É importante que os editores de conhecimento tenham algumas habilidades de escrita criativa, para facilitar a absorção do conteúdo. Receptores de Conhecimento são responsáveis por localizar o conhecimento dentro da organização e, portanto, precisam estar atentos com a mineração dos dados. Como regra geral os trabalhadores do conhecimento precisam ter uma propensão para a leitura e aquisição do conhecimento de cada fonte disponibilizada.
Conclusão
Na maioria das organizações o teste final para se mensurar o valor do novo conhecimento é econômico – maior eficiência, baixos custos, melhor retorno sobre o investimento. Entretanto o valor da gestão do conhecimento vai muito além. Com o acréscimo de fatores mais qualitativos, a Gestão do conhecimento pode nortear a visão colaborativa demonstrando o potencial que a empresa possui de construir uma rede de conhecimento organizacional.
O atual momento é limiar de uma nova era que vai fazer da Gestão do Conhecimento um novo nicho de carreiras a ser descoberto.
Referências bibliográficas
DRUCKER, Piter (2003) – Sociedade Pós-Capitalista: Actual Editora.
JOHNSON, J. David (2009) – Gestão de redes de conhecimento. São Paulo: Senac São Paulo. Edição original: Managing Knowledge Networks (Cambridge University Press)
NONAKA, Ikujiro (1991) – The Knowledge-Creating Company". Harvard Business Review. Nov - Dec, 1991.
PORTER, M. E (1990): Vantagem Competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro. Campus.
TAKEUCHI, Hirotaka e NONAKA, Ikujiro (1995) – The Knowledge-Creating Company: How Japonese Companies Create The Dynamics of Innovation". Oxford University Press, Inc.
TAKEUCHI, Hirotaka e NONAKA, Ikujiro (2008); tradução Ana Thorell. – Gestão do Conhecimento. Porto Alegre: Bookman.
JOHNSON, J. David (2009) – Gestão de redes de conhecimento. São Paulo: Senac São Paulo. Edição original: Managing Knowledge Networks (Cambridge University Press)
NONAKA, Ikujiro (1991) – The Knowledge-Creating Company". Harvard Business Review. Nov - Dec, 1991.
PORTER, M. E (1990): Vantagem Competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro. Campus.
TAKEUCHI, Hirotaka e NONAKA, Ikujiro (1995) – The Knowledge-Creating Company: How Japonese Companies Create The Dynamics of Innovation". Oxford University Press, Inc.
TAKEUCHI, Hirotaka e NONAKA, Ikujiro (2008); tradução Ana Thorell. – Gestão do Conhecimento. Porto Alegre: Bookman.
Sites consultados
http://www.prossigacom.com.br/artigos.asp?dsid=17
http://www.kmci.org/
http://www.kmci.org/
Fonte: Administradores
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