
Presidente do Conselho Federal de Contabilidade lembra que, se num primeiro momento o compromisso de adesão ao IFRS estava voltado às grandes empresas, a partir de agora haverá maiores esforços para a convergência das pequenas e médias
Por: Juarez Domingues Carneiro*
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) assinaram no fim de janeiro um Memorando de Entendimentos com o Comitê Internacional de Normas Contábeis (IASB, na sigla em inglês), órgão responsável pela elaboração do padrão contábil internacional, o IFRS. Esse foi mais um importante passo para consolidar a inserção da contabilidade brasileira nas questões regulatórias globais.
Antes do Brasil, apenas Estados Unidos e China haviam assinado esse tipo de documento. O acordo com o IASB representa, também, a afirmação da importância do envolvimento das entidades responsáveis pela normatização contábil do Brasil na elaboração das normas internacionais.
O CFC e as demais entidades que compõem o CPC têm consciência de que o IFRS é um padrão global, elaborado com base em princípios - e, por isso, é pode ser adotado por diferentes países, aplicando-se até mesmo às economias mais diferentes. Com o IFRS, será possível compreender a contabilidade da China, da Índia, da Inglaterra ou de qualquer outro país. Hoje, 117 nações já adotam ou estão em fase de convergência às normas do IASB.
Como uma das entidades fundadoras do CPC, o CFC tem contribuído ativamente desde o início do processo de convergência, e por isso se sente corresponsável por essa "revolução" que vem ocorrendo na contabilidade brasileira. Inclusive, a atuação do CFC irá se tornar muito mais efetiva, a partir deste ano, em relação à preparação dos contabilistas para a aplicação das normas convergidas.
O Sistema CFC/CRCs possui, atualmente, 417 mil profissionais contábeis. Todo esse contingente deve estar devidamente capacitado para elaborar as demonstrações contábeis de acordo com as novas normas. É importante ressaltar que, se num primeiro momento o compromisso de adesão estava voltado às grandes empresas, a partir de agora também haverá maiores esforços para a convergência das normas relacionadas a pequenas e médias empresas.
A iniciativa, nesse âmbito, será bastante benéfica para o ambiente econômico brasileiro. Inclusive, poderá ajudar na redução da taxa de mortalidade dessas empresas, porque o IFRS possibilita maior transparência aos números, ajudando na gestão das pequenas e médias empresas.
Diante dessa realidade, a necessidade de capacitação dos profissionais contábeis é geral. O nosso objetivo, para conseguir atender a um número tão grande de contabilistas, é organizar treinamentos, por meio do programa de educação continuada, para formar multiplicadores e atingir todo o Brasil.
Dessa forma, o CFC irá buscar parcerias com entidades como a Fenacon e os Sescons, que são a federação nacional e os sindicatos estaduais das empresas de serviços contábeis, para colocar em prática esses projetos em todo o país.
*Juarez Domingues Carneiro, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC)
Fonte: Amanhã
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