
Tem gente que acorda com o sentimento de que dormiu pouco, de que o dia de
trabalho não será suficiente para realizar todas as tarefas, de que o dinheiro
na conta não é suficiente, de que a saúde não é boa o bastante, de que o corpo
poderia estar em melhor forma, e por aí vai... . A síndrome da escassez não se
refere à falta (ausência), mas ao sentimento de que o que se tem não é
suficiente.
Esta síndrome ataca também no dia a dia das empresas. Em
muitos casos é possível encontrar a escassez diariamente. Faltam pessoas para
compor a equipe, falta sistema, falta verba, falta incentivo, falta
reconhecimento, falta... . Em alguns casos a empresa faz os investimentos
necessários, e a equipe nunca acha que é o suficiente para alcançar os
resultados necessários. Em outros casos, a empresa não faz o investimento
necessário e estrangula os colaboradores para o alcance dos objetivos e das
metas. É fundamental entender o cenário, antes de se pensar na
solução.
Entender o cenário implica em compreender o ambiente interno com
mais dados e fatos e menos "achismos". É preciso conhecer com exatidão quais as
forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças internas. Temos as
ferramentas de avaliação de clima organizacional, que também são fundamentais
neste contexto. A partir daí, afastando os "feelings", será possível identificar
de fato o que é escassez e o que é mentalidade de escassez. Neste caso, será
considerada como "situação de escassez" tudo aquilo que for fator crítico para o
cumprimento dos objetivos e houver a ausência (ou insuficiência) destes fatores
dentro da empresa.
Enquanto você está lendo este artigo, provavelmente
algumas lembranças de escassez podem lhe ter vindo à mente. Mas será que essas
lembranças são de fato sinais de escassez? A ausência de progresso de fato está
vinculada a esses pontos? O quanto essas questões vêm atrapalhando a sua
carreira? Como você tem tentado tratar essas questões?
Não se reage à
mentalidade da escassez com a abundância. Quando deixamos a escassez de lado
descobrimos a surpreendente verdade da suficiência. E aqui não estou me
referindo a uma quantidade de determinada coisa, mas à real consciência do que
se tem de fato. O oposto da escassez é gratidão das coisas que se tem,
identificando a verdade da suficiência. Não é uma questão de conformidade, mas
sim de analisar a situação de forma mais racional e menos emocional. Ao invés de
ficar "travado" pela mentalidade da escassez, a verdade da suficiência nos
coloca diante da seguinte questão: "O que é possível fazer de melhor com o que
temos?".
Uma coisa, apenas uma coisa eu posso lhe garantir: a maioria das
pessoas está programada para dar respostas automáticas contaminadas pela
Síndrome da Escassez. As empresas buscam pessoas que pensem e ajam de forma
diferente, capazes de fazer mais com o que se tem à mão. Se uma pessoa faz muito
com os recursos que têm às mãos está comunicando que possui competência para ir
além se tiver mais recursos.
Nós brasileiros, somos conhecidos mundialmente no segmento da publicidade
e propaganda como profissionais altamente criativos, que fazem campanhas
brilhantes com parcos recursos.
A inovação precisa acontecer primeiramente no campo onde as grandes
batalhas são travadas: a mente. Inovar não é fazer milagres, mas consiste em
afastar a mentalidade de escassez e fazer o melhor que pode ser feito
Robson Vitorino Consultor de empresas nas áreas de
Marketing, Liderança Corporativa e Gestão de Pessoas. É professor, desde 2007,
em cursos de pós-graduação da Universidade Cândido Mendes e Universidade Castelo
Branco, e palestrante nas áreas: marketing, comunicação, liderança e
engajamento. Vem atuando de forma intensa no segmento jurídico desde 2001,
desenvolvendo projetos estratégicos de marketing, comunicação e gestão de
pessoas. Autuou como palestrante do Lidere/RJ – Instituição Internacional
presidida pelo Dr. John Maxwell focada em liderança estratégica. Integrou o
departamento de marketing de grandes empresas em diversos segmentos como:
Combustíveis e Derivados, Internet, TI, Jurídico e Terceiro Setor onde colaborou
como gerente de marketing do Instituto Bola Pra Frente, dos tetra-campeões de
futebol Jorginho e Bebeto. Residiu em Portugal, onde atuou como consultor na
área de marketing. Formação acadêmica: graduação – Comunicação
Social/Publicidade e Propaganda – Universidade Veiga de Almeida; pós-graduação –
Marketing – Universidade Cândido Mendes; especialização em CRM e Novas
Tecnologias – IBMEC e mestrado em Gestão do Conhecimento e Direção de Recursos
Humanos – Universidad Europea Miguel de Cervantes (Espanha).
Fonte: RH