
No ano de 2003 tive o privilégio de participar do Seminário Vergonha, Honra e Luxo, ministrado pelo Psicanalista Jorge Forbes. Sem dúvida alguma, esse evento me trouxe uma percepção importante: a vida só tem sentido quando é vivida com honra! Mas, afinal, de qual honra estou falando? Vamos fazer uma breve viagem no túnel do tempo... Na Grécia Antiga, existia o conceito de duas mortes: a morte do corpo biológico e a morte da honra, que representava a essência do indivíduo e de suas convicções. Os pensadores gregos tinham um desejo constante e necessário de imortalizar o próprio nome. O filósofo Sócrates, durante o seu próprio julgamento, para defender suas convicções e preservar a sua honra, preferiu morrer com um cálice de cicuta, ao invés de sobreviver, tendo que negar tudo aquilo que ele acreditava e tinha defendido por anos da sua existência. Para Sócrates, seria insuportável sobreviver sem honra!
Segundo o psicanalista francês Jacques-Alain Miller, a honra representa um símbolo de valor singular, pertencente à nossa personalidade. A honra não tem valor para os outros, mas quando é arrancada de nós, perdemos o entusiasmo, a paixão e a vontade de viver! Uma vez um amigo, empresário que atuava no segmento de Marketing, confessou-se: "Se me tirarem da criação, eu morro. Pois, a vida não teria sentido!". É exatamente isso! Assim como Sócrates, é preferível morrer biologicamente a ficar sem o entusiasmo de exercer o ofício com honra! Não temos o direito de bloquear o fluxo da natureza singular de cada indivíduo, que deseja manifestar-se com honra. Proíba o escritor de escrever, o dançarino de dançar e o alfaiate de costurar, que todos morrerão ainda vivos!
Infelizmente, o que mais percebemos no mundo atual, são pessoas que preferem sobreviver biologicamente, ao invés de viver pela honra singular. Hoje sobrevivem dentro de uma vida morna, anestesiadas diante das oportunidades, porque cometeram um suicídio interno e não desejam reascender. Por isso, independente do valor financeiro que recebem, é muito fácil diferenciar pessoas que trabalham com honra daqueles indivíduos que trabalham sem honra, mas somente pela sobrevivência.
Diante desta provocação, isso mesmo - desta provocação que faço a você leitor - é importante ressaltar que não é fácil decidir viver corajosamente pela honra, porque isso demanda tempo, muito trabalho e persistência diante das adversidades. A oferta para viver sem honra é mais atrativa, cômoda e com resultados surgem mais rapidamente. Porém, o preço é mais caro e envolve a sua verdadeira felicidade! Você está feliz? Você prefere ser uma pessoa rica, mas infeliz e sem honra, ou prefere instabilidade financeira, com felicidade e honra? Entendo que todos nós precisamos botar comida no prato, mas até quando você vai viver sangrando e justificando por que está no mesmo lugar há 30 anos? Até quando permanecerá enjaulado na sua prisão mental, sem ao menos, arriscar uma vez na vida pelo que realmente acredita? A vida é curta e o tempo é escasso. Até quando ficará se enganando? Viva com honra!
Rodrigo Ramos - Fundador da empresa O Poder das Palavras, Consultor Educacional, Palestrante, Psicólogo com formação em Psicanálise, MBA em Gestão de Empresas e Professor da Pós-Graduação do Albert Einstein. Atua há mais de 10 anos ministrando palestras, treinamentos e workshops, com foco no desenvolvimento do capital humano. Ao longo de sua carreira liderou equipes e participou de projetos de treinamento e consultoria para diversas empresas como: Ambev, Unilever, Ypê, Ford, Volvo, Volkswagen, Mitsubishi, Itaú, Santander, KPMG e Embratel.
Fonte: RH
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