
Somos o resultado de como olhamos para o mundo e de como aprendemos a decodificar os olhares do mundo para cada um de nós. Os filtros receptores dos olhares, forjados desde a tenra idade quando ainda “bebês”, decide quem seremos. O cérebro enquanto máquina impressora registra, aprende e processa por sua vontade e conta o que interessa nas suas contas neurônicas egocêntricas. Isso significa que construir líderes exige ensinar a se ver como alvo dos olhares e como olhar para o seu entorno, e pessoas.
Recebi olhares de todos os tipos, desde olhares de dó, piedade, pena. Conheci olhares de medo, horror. Vivi olhares de maldade, de sadismo, de ignorância fundamentada em erradas interpretações de causa e efeito. Mas também conheci o olhar da bondade, da alegria, da esperança, da amizade, do entusiasmo, da sabedoria evolutiva, da coragem e o fundamental olhar do amor incondicional. Essa construção ou desconstrução é feita desde o nascimento, e segue numa progressão interminável enquanto vivos.
Vamos nos transformando na qualidade dos filtros sobre os olhares que recebemos e nos olhares que emitimos. Um amálgama poderoso é criado, e essa energia adquire vida, poder de atração e termina por tratar dos segredos da sorte ou do azar, ou na tradução de que sorte terminaria sendo aquilo que fazemos com as aparências do azar.
Mas líderes são construídos com os “olhares de fogo”. O olhar de fogo é a marca quente, que tanto pode queimar e ensinar em alguns o prazer da dor, e ao adorar a dor, se transformam em pessoas saciáveis apenas, quando provocam dores no entorno; ou esses olhares de fogo podem servir para aquecer, acalentar, extrair do frio resfriado a fusão transformadora de líderes criadores.
Olhares de fogo estão vivos na realidade do universo. Criam estrelas, apagam estrelas, explodem galáxias, enviam meteoros endurecidos no aleatório eixo gravitacional do acaso. O que sei, aprendi e vivi é que como olho para minhas equipes, altero o resultado. Como dirijo o fogo dos meus olhares para um empreendimento, uma causa, uma cidade, uma classe de alunos, um país, pessoas, altero positiva ou negativamente suas próprias esperanças e vontades, e influencio a forma como esses olhares passam a dialogar entre si.
Dentre todos os olhares , aquele que conheço, como o pior deles, o mais vil e torturante, é o olhar da indiferença. O olhar indiferente de um líder inviabiliza a possibilidade de dizermos que ali está um líder. O olhar da indiferença é um olhar de fogo gelado. Queima no frio, e marca a alma de maneira contundente.
Luiz Tejon é publicitário, jornalista, autor e co-autor de 28 livros, como "O Voo do cisne" e "O Código da Superação". É presidente da TCA Internacional, com parcerias na Europa, Estados Unidos, China e Israel
Fonte: EXAME
Nenhum comentário:
Postar um comentário