
Ana Paula Grabois, de São Paulo
20/07/2010
O recorde entre os candidatos à reeleição que mais elevaram seus gastos é da governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa
Os 13 governadores que tentarão a reeleição este ano elevaram sua estimativa de gastos em 133,6% em relação a 2006, ano em que foram eleitos. Segundo dados enviados à Justiça Eleitoral, as previsões saltaram de R$ 137 milhões em 2006 para R$ 319,5 milhões em 2010. A previsão é muito mais elevada do que aquela feita pelos candidatos a governador em geral no país. As campanhas estaduais nas 27 unidades da Federação tiveram um aumento de 77,4% na previsão de gastos. No período, o IPCA acumulou alta de 20,8%. A soma das estimativas de gastos de todos os candidatos ao governo dos Estados é de R$ 1,46 bilhão.
O recorde entre os candidatos à reeleição que mais elevaram seus gastos é da governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa. Em 2006, a governadora havia declarado R$ 10 milhões. Neste ano, são R$ 47 milhões - a terceira campanha mais cara do país em termos nominais e superior à do colega de partido Aloizio Mercadante para o Estado de São Paulo, estimada em R$ 46 milhões.
A maior disposição para gastar entre os candidatos a governador supera até as expectativas dos candidatos à Presidência da República. Os dois principais concorrentes - José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) - preveem despesas 60,5% maiores às estimativas de 2006 relativas aos candidatos de seus partidos.
O tucano Geraldo Alckmin, candidato em São Paulo, tem a campanha mais alta entre as 27 unidades da Federação, de R$ 58 milhões. O candidato do PSB ao governo paulista, o ex-presidente da Fiesp Paulo Skaf, tem a segunda campanha mais cara, estimada em R$ 50 milhões.
Para o juiz Marlon Reis, presidente da Associação de Magistrados, Procuradores e Promotores eleitorais, a elevação da previsão de despesa de campanha reflete o receio dos políticos com a cassação de seus mandatos com o maior rigor de fiscalização da Justiça Eleitoral. "Os políticos preferem o desgaste de apresentar campanhas milionárias a correr risco de ver apontados gastos que não constam em suas declarações", diz Marlon Reis.
Em comum, os governadores candidatos à reeleição tiveram uma exposição pública mais acentuada que seus concorrentes nos últimos quatro anos. Largam, em sua maioria, como favoritos, o que atrai alianças partidárias maiores e, consequentemente, um programa no horário eleitoral gratuito mais extenso. O programa de TV é o principal gasto de campanha. No exercício do cargo como governadores também costumam ter mais facilidade de arrecadação que os demais concorrentes
Valor Econômico
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