
Mais uma vez nos vemos diante de uma potencial crise macroeconômica: os jornais deste domingo, 9/05, tratam, em detalhes, da crise que por enquanto afeta apenas um pais da União Européia – a Grécia – mas que pode se alastrar para Portugal, Espanha, Itália, Irlanda, entre outros. Alguns economistas, mais pessimistas, apostam inclusive no fim do Euro e da UE. Diante de todos estes novos fatos, como o gestor financeiro, aqui no Brasil, deve se posicionar? Neste jogo de “adivinhação” sobre o futuro, algumas sugestões.
Primeiro, vale a pena considerar a possibilidade de uma desvalorização de nossa moeda frente ao dólar, e o impacto que esta teria sobre as receitas e custos da empresa. A desvalorização decorreria de uma saída de capitais do Brasil, devido a maior aversão ao risco dos investidores internacionais, e da realização de lucros no Brasil para cobrir “buracos” abertos em outras partes do mundo. Uma pequena amostra desta desvalorização foi vista nesta primeira semana de maio, quando nossa moeda se desvalorizou em mais de 5%. A desvalorização aumentaria o custo dos insumos importados, impactando a competitividade da empresa e sua rentabilidade. Para empresas exportadoras, apesar de a desvalorização impactar positivamente a receita, o volume vendido poderia ser seriamente afetado devido à menor demanda no segundo maior parceiro comercial do Brasil: a União Européia.
Outro ponto a considerar seria a exposição da empresa ao risco cambial. Dividas indexadas ao cambio poderiam ter seu valor em R$ aumentado significativamente, o que afetaria os lucros futuros da empresa. Eventualmente, poderia inclusive colocar a empresa sob stress financeiro. O gestor financeiro, neste caso, deveria considerar a hipótese de buscar uma proteção contra este risco, que não teria origem operacional.
Alem do impacto sobre receitas, custos e sobre eventuais passivos, deve-se observar ainda as operações de derivativos contratadas, seus vencimentos, preço de exercício, e entender o potencial impacto destas operações sobre o resultado da empresa, numa eventual desvalorização de nossa moeda.
O gestor brasileiro já esta acostumado a lidar com incertezas, por este motivo que ele e’ tão valorizado no exterior. Mesmo assim, não se pode descartar o risco de uma nova crise macroeconômica, e seu impacto sobre as finanças das empresas.
Flávio Kezam Málaga é doutor e mestre em Finanças pela FEA/USP, professor de disciplinas de finanças corporativas do MBA Finanças da FIA e do LLM do Ibmec, e consultor da Estrateplan Consultoria Economico-Financeira. Nesta seção, o especialista abordará as finanças corporativas e suas dinâmicas à luz da macroeconomia
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