
Por muitos anos o business não sabia as respostas para as questões de tecnologia, o que sempre colocou os CIO em vantagem: ele era a fonte para todas as questões de inovação tecnológica. No entanto, estamos passando por um período de ruptura do ambiente de tecnologia, com profundo impacto para os fornecedores e a forma como contratamos serviços e usamos sistemas.
iPad, YouTube, Google, Kindle, Cloud Computing – não são apenas palavras novas. Não são uma moda passageira. Não são uma evolução linear das coisas que já existiam.
Quando a Amazon.com começou a vender livros on-line, foi uma inovação que causou muito transtorno para as livrarias, mas o modelo de negócio mudou pouco, foi uma evolução no modo de vender e distribuir, mas não mudou o modelo de criar conteúdo, escrever, imprimir e ler. A Google já digitalizou mais de 12 milhões de livros http://bit.ly/cd3Lew) e vai colocá-los ‘a disposição de qualquer um, muitas vezes “de graça”; quando ela faz isso, está rompendo com o modelo de negócios das editoras. O que quero dizer é que a Google Livros não é uma evolução do modelo da Amazom.com, é muito mais, é uma ruptura destruidora de um modelo secular de negócios editoriais.
Já escrevi sobre a ruptura dos modelos de negócio aqui nesse blog. Agora Michael Cusumano, professor de administração e engenharia de sistemas do Massachussets Institute of Technology (MIT) considera que são quatro pontos que produzem essa ruptura: mobilidade (nos próximos dez anos); banda larga móvel (disponível em todo lugar e gratuitamente nas ruas); aplicativos de geolocalização; e serviços (como modelo de negócio), e diz "É algo que virá. As pessoas estarão conectadas e com internet disponível em todo lugar. Com isto, serão criados novos tipos de corporações e um novo corporativismo" (veja mais em http://bit.ly/c17X7f).
Em outro artigo, o professor da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva acrescenta que "É preciso alterar as lógicas para conseguir saltos de qualidade... Para moldar o futuro em direção àquilo que a gente deseja, não podemos nos conformar com as regras e métodos existentes. Precisamos buscar o diferente, o que não existe." (artigo em http://bit.ly/9I6IQh).
Diante de tantas mudanças previstas, algumas das quais já estão acontecendo, como a internet alterando padrões de consumo e redes sociais alterando como as pessoas interagem (e qualificam as empresas), não dá para esperar que o CIO tenha todas as respostas relativas à inovação tecnológica diante das necessidades da empresa.
É preciso mais!
Mais participação e integração entre as diretorias, incluindo o CIO nas discussões de estratégia de negócios, de forma a incorporar a visão de ruptura de modelos dentro das discussões de direcionamento de vendas, de desenvolvimento de novos produtos, de entrada em novos mercados, de atendimento pós venda, e assim por diante.
Ninguém mais pode viver isolado, o mundo está mais dinâmico a cada dia, e as mudanças não estão mais confinadas a segmentos de mercado ou domínios de conhecimento específico.
Portanto, também nas empresas as decisões não podem mais ser compartimentadas e isoladas, precisam ser compartilhadas. Será necessária uma nova “rede social”, interna, em que os líderes do negócio possam discutir abertamente o futuro, e assim criar uma empresa nova, que possa sobreviver à ruptura dos modelos atuais.
Pedro Bicudo é consultor em TI, especializado em gestão de outsourcing, benchmarking, TCO, processos e mudança por projetos. É sócio-diretor da TGT Consult e antes foi vice-presidente para mercados emergentes do Gartner Inc. Neste espaço, o especialista debate temas atuais de gestão da TI
http://www.financialweb.com.br/blogs/blog.asp?cod=93
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