
por [Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin]
Confira análise dos principais temas da semana, perspectivas, drivers e indicadores, elaborada pelo economista-chefe do Banco Schahin
O ambiente dos mercados na última semana foi marcado por forte volatilidade e momentos de pessimismo, com os rebaixamentos dos ratings da Grécia, Portugal e Espanha por parte da S&P, inclusive com a perda do grau de investimento em relação à Grécia. Em meio à deterioração acentuada da percepção sobre a capacidade de financiamento deste país, durante o final de semana foi, enfim, fechado o acordo sobre o pacote de ajuda financeira no valor de € 110 bilhões, após o governo grego ter aceitado as condições de ajuste fiscal impostas pelo plano.
“Ainda prevalece algum ceticismo em relação à colocação em prática destas medidas em sua plenitude, diante da elevada insatisfação da população com o preço a ser pago pelos recursos, como o congelamento e até reduções de salários do funcionalismo e aposentadorias, além da elevação de impostos”, explica Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin. Outro foco de incerteza vem da necessidade de aprovação nos parlamentos dos países que irão participar com empréstimos no pacote, como Alemanha, França e Itália. “Ou seja, embora a ajuda esteja definida, os próximos dias ainda devem mostrar desdobramentos”, conclui.
Na China, o Banco do Povo elevou a taxa dos compulsórios em 50 pontos no final de semana, terceiro aumento promovido neste ano. Neste caso, o objetivo é conter o risco de superaquecimento, que tem se manifestado em diversos setores de atividade, especialmente no segmento imobiliário. “Todavia, como tal medida não chega a surpreender, os preços de commodities não sofrem qualquer efeito nesta abertura de semana”, analisa o economista.
Nos EUA, os dados recentes têm apresentado viés mais positivo, com o crescimento de 3,2% do PIB do 1º trimestre sendo puxado pela retomada do consumo pessoal. Com a gradativa melhora do mercado de trabalho – fato admitido inclusive pelo Federal Reserve – a confiança dos consumidores volta a se recuperar.
No Brasil, a última semana foi marcada pela decisão do Banco Central de elevar a Selic em 75 pontos-base, sancionando a alta das taxas futuras, que subiram ainda mais nos dias seguintes. “Os dados de atividade seguem fortes (emprego, crédito), enquanto a inflação está resistindo nos patamares acima dos desejáveis, combinação que irá gerar novos ajustes nos juros daqui em diante – projetamos aumento total de 300 pb no ciclo atual de aperto”, afirma Campos Neto.
Agenda da semana
A semana apresenta uma agenda bem intensa em indicadores e eventos relevantes para os mercados. Nos EUA, o destaque ficará por conta dos números do mercado de trabalho (sexta), além dos índices ISM de atividade e do resultado das varejistas em abril. No Brasil, o IBGE anuncia a produção industrial de março (que deve ter sido muito forte) e o IPCA de abril, ainda elevado. Balanços importantes também serão anunciados no mercado doméstico, como Vale, Gerdau e Itaú Unibanco.
Nos mercados, a semana abre com algum alívio pelo pacote de ajuda à Grécia, mas a seqüência da semana dependerá em grande medida da ausência de novidades negativas provenientes da Europa e, principalmente, dos indicadores econômicos nos EUA. Por aqui, a tendência de apreciação do real se fortaleceu após a elevação da Selic, e tem levado o BC a intervir com mais intensidade. O patamar de R$ 1,70 começa a entrar na mira no curto prazo.
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