
17/05/2010
“Faça seus executivos ricos e eles te farão rico.”
A citação acima atribuída a Robert W. Johnson , pelas evidências, parece verdadeira. O problema é encontrar indicadores que possam correlacionar corretamente , desempenho e maximização do valor da empresa. A remuneração de executivos tem sido tema de debates e vários artigos na imprensa. Nesse artigo vamos abordá-lo sob os seguintes enfoques: Evidenciação e Segurança; Nada como um bom contrato; Desempenho e Remuneração; Desempenho e Valor da Empresa.
Evidenciação e Segurança
A crise das hipotecas nos EUA, no final de 2008 e uma de suas conseqüências, a quebra do Banco Lehman Brothers com seus executivos ainda sim recebendo vultosos bônus chocaram a opinião pública mundial a ponto de o próprio Barack Obama se pronunciar ao dizer que a remuneração dos executivos de Wall Street era uma “vergonha”. Acalorados debates surgiram sobre o valor total da remuneração, sua composição e principalmente sua adequação sem relação aos resultados econômicos e valor das companhias. Nos EUA, a publicação das maiores remunerações já é praticada desde 2001 Atualmente tramita no senado americano uma lei visando tornar obrigatória á consulta e aprovação pelo Conselho de Administração, da remuneração dos executivos ( o famoso “say on pay”). Enquanto isso, no Brasil a CVM- Comissão de Valores Mobiliários, depois de muito debate e pressão obrigou através da Resolução 480, a divulgação da remuneração máxima, média e mínima dentro da diretoria e do conselho de administração de cada uma das companhias abertas com ações negociadas em bolsa. Por aqui a grita geral está relacionada á segurança do executivo que terá sua remuneração divulgada. Num país com má distribuição de renda (Índice GINI – 54,4 posição 62º entre todos os países ) e índices de criminalidade não desprezíveis, não nos parece que a divulgação vá chamar a atenção apenas de gente interessada na justiça salarial.Os maiores interessados na remuneração dos executivos são os acionistas e estes tem através do Conselho de Administração, do Conselho fiscal e do Comitê de Remuneração, caso existente, amplo acesso a essas informações. Basta questionar.
Nada como um bom contrato.
Quando um acionista /Conselho contrata um executivo, o objetivo é que este maximize o valor da empresa . Como existe um claro conflito de interesse entre o acionista que quer que o executivo tome decisões que visem a maximização do valor da empresa, sob certas condições de risco, e o executivo que muitas vezes não se arrisca tanto, com medo de perder sua remuneração e salário ou ás vezes decide com um viés de satisfação pessoal em detrimento da satisfação do acionista, colocando a empresa em risco não calculado. A solução para esse conflito passa pela elaboração de um bom contrato entre o acionista/conselho e o executivo que vincule a remuneração do gestor à maximização do valor da empresa. Afinal de contas não foi pra isso que o executivo foi contratado?
Desempenho e Remuneração
A vinculação de parte da remuneração á “performance” da companhia é boa tanto para o executivo quanto para a empresa em vários aspectos. Primeiro a qualidade do trabalho feito pelos executivos do topo tem um impacto maior na organização como um todo do que os esforços feitos pelos demais níveis. Em segundo lugar a remuneração variável e vinculada a desempenho diminui a aversão ao risco do gestor . Estudiosos comprovaram que por exemplo as “Stock Options” , largamente utilizadas nas companhias do ocidente a partir dos anos 80, atuam muito positivamente na motivação dos gestores em apresentar projetos, que caso tenham sucesso, adicionam valor á empresa e que se refletirão no valor de mercado da ação valorizando-a e em conseqüência enchendo os bolsos dos detentores das “stock-options”. De outro lado, caso tais projetos não tenham sucesso ou não agreguem valor à Companhia, as opções de ações não se valorizam e “ viram pó “, não penalizando pecuniariamente os gestores e principalmente não o prejudicando sob o ponto de vista de seu capital humano , (história profissional do gestor) .
Desempenho e Valor da Empresa
Dessa forma, tudo concorre para que vinculemos parte da remuneração dos executivos do topo ao valor da empresa, definido como o fluxo de caixa proveniente de dividendos e a valorização da ação. Em mercados eficientes , o valor de mercado da ação incorpora essas expectativas .Para os demais executivos e alta gerência , que não tem acesso as “stock options” , a dificuldade é encontrar os indicadores “proxy” do valor da empresa no futuro, de forma que a evolução positiva desses indicadores se transforme em remuneração. Há na literatura de finanças diversos estudos (particularmente os de Rappaport) que aprofundam essa discussão e que passam por componentes de valor, macro- direcionadores de valor, micro-direcionadores de valor e que permitem vincular a remuneração ao desempenho individual, de um grupo (marketing - operações- Rh- logística , etc.) e claro ao desempenho global da empresa. Uma medida de desempenho nem sempre considerada e que é fundamental para a maximização de valor da empresa, é aquela relacionada a implementação da estratégia ( Missão, Valores, Visão, Objetivos, Escopo e Vantagem). Falhas na vinculação de indicadores de desempenho aos objetivos estratégicos costumam ser fatais para a empresa, deixando somente os executivos ricos
Financial Web
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