
Não se pode pensar em tecnologias digitais, inovação, alta performance e rede de relacionamento com os stakeholders sem compreender a importância e a essencialidade da cultura para o sucesso de qualquer iniciativa empresarial. Fora dessa perspectiva qualquer estratégia de gestão, marketing digital ou comunicação corporativa torna-se superficial, inconsistente e efêmera.
Muitas empresas ainda desconsideram a cultura organizacional e tentam desenvolver projetos e processos, implantar estratégias de comunicação e lançar produtos e serviços inovadores, imaginando que o sucesso será certo, pois a demanda do mercado é garantida e o seu negócio está muito bem planejado. No entanto, a desatenção para os valores e a cultura da empresa garantirá o fracasso daquilo que teria todo o potencial para ser um verdadeiro sucesso.
Várias organizações sólidas e bem-sucedidas ruíram quando partiram para iniciativas empreendedoras, aquisições, fusões e incorporações, sem considerar os aspectos fundamentais dos valores, crenças e costumes envolvidos.
Não respeitar valores, não conscientizar crenças e princípios que orientam atitudes, comportamentos e ações coerentes, tornam as organizações vulneráveis à constância das crises conjunturais, pois não há um sentimento forte de corresponsabilização e coesão entre dirigentes, lideranças médias e funcionários, fatores imprescindíveis para a superação de desafios e a conquista de desempenho e resultados autossustentáveis.
Conforme ressalta Francisco Gomes de Matos (livro Estratégia de Renovação - Editora Thomson - 2008), "todo grupo social, por mais simples que seja, vai formando uma cultura própria, que ganha expressão, determinante do sucesso, à medida que a torna transparente para todos os seus componentes. Isso implica que haja orgulho e comprometimento em pertencer, que se tornam mais fortes, quanto maior a adesão a verdades comuns que formam a alma do grupo, assegurando sua sobrevivência e continuidade".
Ao contrário, destaca o autor, "quando os valores culturais não são nitidamente expressos, prevalecendo os objetivos pragmáticos do negócio, que oscilam em função das oportunidades imediatistas de mercado, a organização tende a se tornar um laboratório de crises. Cada situação mobiliza forças potencialmente divergentes e predatórias, pois falta o motivador comum que é o espírito de equipe, resultante da aceitação das crenças comuns".
Francisco Gomes de Matos observa ser preciso "desenvolver a consciência de que todos pertencem a uma organização que possui missões e responsabilidades claramente explícitas e difundidas, onde os anseios individuais são reconhecidos, abrindo-se campo à participação, à criatividade e à valorização humana".
Cultura é a alma do negócio
A empresa que não investe na consolidação da sua cultura acaba perdendo confiança, produtividade, qualidade, credibilidade e, consequentemente, clientes, negócios e mercado, o que significa baixa sustentabilidade, que pode significar a mesma coisa que desempenho negativo ou falência. Esta é uma relação de causa e efeito incontestável.
Um grande número de corporações tem investido pesadamente em mídias digitais para melhorar a comunicação interna. No entanto, os resultados não aparecem e surge a pergunta: onde está o erro? A resposta está na falta da conscientização de valores e princípios, que valorizem os relacionamentos humanos e a corresponsabilização por objetivos e verdades comuns.
A falta de diálogo, de abertura à conversação e troca de ideias é, sem dúvida alguma, o grande problema que prejudica o bom desempenho de muitas organizações. Nesse sentido, a comunicação corporativa é um processo diretamente ligado à cultura da empresa, ou seja, aos valores e às atitudes das suas lideranças e às crenças e aos comportamentos dos seus colaboradores.
Não adianta a empresa investir em blogs corporativos, redes sociais de relacionamento; importar modelos de certificação da qualidade e sistemas de tecnologia da informação se internamente não existe um ambiente de abertura ao diálogo e de compartilhamento de conhecimento, informações e opiniões.
Com a consolidação da cultura da comunicação é possível simplificar e solucionar praticamente todos os problemas organizacionais, que na maioria das vezes estão ligados à desvalorização do relacionamento humano.
A cultura é a essência da boa navegação no desafiador oceano da era digital.
Gustavo Gomes de Matos
Jornalista, pós-graduado em Administração de Recursos Humanos (PUC/RJ) e especialização em Economia (UERJ). Consultor de Comunicação Empresarial, com 18 anos de atuação para grandes organizações do setor privado (CNI, SENAI Nacional, Firjan, Motor Union Seguros, Engemaq e Grupo Carta Fabril). Professor universitário e conferencista de Comunicação Corporativa. É professor de pós-graduação em Comunicação Empresarial da Universidade Federal de Juiz de Fora – Faculdade de Comunicação (UFJF/Facom). É autor dos livros A Cultura do Diálogo (prefácio de Norberto Odebrecht) - Editora Campus/Negócio, 2006 - e Comunicação Empresarial Sem Complicação Como simplificar a prática da comunicação nas empresas (prefácio de Idalberto Chiavenato)- Editora Manole, 2008. É autor também de obras institucionais, tais como: Visão de um Empreendedor - (Engemaq-RS); PUC Rio 60 ANOS - Uma história de solidez; e Décadas Vitoriosas - A história dos 60 anos do SENAI. Realiza palestras e workshops, com periodicidade, para empresas e instituições, tais como: Bradesco Seguros e Previdência, IBOPE, Universidade Corporativa da Petrobras; Associação Brasileira de Ouvidores (ABO/Rio), Associação e Sindicatos dos Bancos RJ, SEBRAE-RJ, Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), entre outras. É diretor da FGM Consultoria Ltda. – www.fgmconsultoria.com.br
http://www.rh.com.br/Portal/Mudanca/Artigo/6487/cultura-e-a-essencia-da-boa-navegacao.html#
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